A LEI DOS LUGARES VAGOS: O INSÓLITO E A NARRATIVA CRIMINAL PÓS-MODERNA EM FARGO

Já em 1941, Howard Haycraft, em Murder for Pleasure, obra pioneira na crítica à narrativa criminal, atestava as inúmeras tentativas frustradas de prever o esgotamento do gênero identificado como detective fiction. De lá para cá, não foram poucos os que tentaram decretar a morte do velho romance dete...

Full description

Bibliographic Details
Author: Sasse da Silva, Pedro Puro
Format: article
Status:Published version
Publication Date:2020
Country:Brasil
Institution:Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Repository:Abusões
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:ojs.www.e-publicacoes.uerj.br:article/50485
Online Access:https://www.e-publicacoes.uerj.br/abusoes/article/view/50485
Access Level:Open access
Keyword:Ficção de crime
Detetive metafísico
Convenções
Narrativa
Insólito
Description
Summary:Já em 1941, Howard Haycraft, em Murder for Pleasure, obra pioneira na crítica à narrativa criminal, atestava as inúmeras tentativas frustradas de prever o esgotamento do gênero identificado como detective fiction. De lá para cá, não foram poucos os que tentaram decretar a morte do velho romance detetivesco, que sempre encontrou, nas frestas de um modelo engessado, formas novas para se reinventar. Mesmo se nos restringirmos unicamente às noções limitadas do gênero criminal que imperavam à época de Haycraft e, assim, olharmos apenas para a ficção centrada em detetives, encontraremos nas narrativas investigativas metafísicas uma vertente em plena sintonia com os motifs da literatura contemporânea, profundamente engajada com uma quebra das convenções do gênero. Proponho, dessa forma, uma ilustração das potências renovadoras do gênero criminal na vertente investigativa metafísica através de um exemplo drástico: a terceira temporada da série Fargo. Drástico porque tal obra reúne diversas condições que a tornariam um perfeito candidato a exemplo de exaustão do gênero: passada em uma cidade do interior em que um crime violento quebra a ordem social – um dos mais antigos enredos do gênero –, a série repete a fórmula do filme e a terceira temporada repete a fórmula das últimas duas. No entanto, através da exploração de temas e ferramentas como intertextualidade, metaficção e subversão de normas do gênero, a terceira temporada da série Fargo – composta, como todas as temporadas, por uma história independente das demais – surpreendentemente apresenta uma narrativa que reflete, questiona e revigora o gênero da narrativa criminal.