“A dieta equilibrada é um copo em cada mão”: relações entre a comensalidade e os usos de álcool em produções cinematográficas
Este trabalho se propôs a realizar uma aproximação entre os campos da Alimentação e Nutrição e da Saúde Mental, tendo em vista que a Atenção Psicossocial se debruça sobre os consumos de substâncias psicoativas sob uma perspectiva que inclui dimensões multifacetadas que envolvem o sofrimento, não exc...
| Autor: | |
|---|---|
| Tipo de recurso: | tesis doctoral |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2021 |
| País: | Brasil |
| Institución: | Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) |
| Repositorio: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:www.bdtd.uerj.br:1/21641 |
| Acceso en línea: | http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/21641 |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palabra clave: | Alimentação Comensalidade Álcool Saúde Mental Food Commensality Alcohol Mental health CIENCIAS DA SAUDE::NUTRICAO |
| Sumario: | Este trabalho se propôs a realizar uma aproximação entre os campos da Alimentação e Nutrição e da Saúde Mental, tendo em vista que a Atenção Psicossocial se debruça sobre os consumos de substâncias psicoativas sob uma perspectiva que inclui dimensões multifacetadas que envolvem o sofrimento, não excluindo as subjetividades das discussões em torno da temática. Levando em consideração que os alimentos e as drogas, historicamente, ocupam lugares que ora se aproximam, ora se distanciam, tomamos como ponto de partida a escolha pela comida, já que esta carrega consigo os signos, ampliando sua dimensão nutricional. Justamente por entender a magnitude da complexidade que envolve os mais variados consumos alimentares, de álcool e outras drogas ao longo da história, observamos que esses elementos produzem efeitos nos conceitos que circulam no campo da Alimentação, como por exemplo, a comensalidade. Desta maneira, optamos por realizar um recorte para observar os mais variados consumos de álcool, partindo da premissa que bebidas alcoólicas são consideradas alimentos em seu estado líquido; e da compreensão sobre as ressignificações em torno da comida que englobam a dimensão cultural e social. Além disso, observamos que estudos no campo da Alimentação e Nutrição, relacionados aos consumos de álcool, debruçaram suas análises sobre os efeitos desses consumos no corpo orgânico, reforçando uma lógica biologicista e descartando as subjetividades. Tal fato reforça a originalidade dessa pesquisa, que objetivou problematizar e analisar os mais variados usos de bebidas alcoólicas em produções cinematográficas. A escolha do cinema como campo de observação desses fenômenos se dá, justamente, por compreender a sétima arte como local privilegiado para fomentar discussões com temáticas complexas, já que o filme permite que o espectador entre em contato, através de uma experiência multissensorial, com uma determinada realidade, construindo uma teia de sentidos com o que está assistindo. Além disso, uma obra fílmica é um instrumento pedagógico perspicaz, que auxilia na formação de futuros nutricionistas ao estreitar o diálogo entre teoria e prática através da arte. Foram analisados três filmes: “O Diário de Bridget Jones”, obra em que olhamos para o controle que recai sobre os corpos femininos e suas relações em torno da comida e das bebidas; “Krisha”, em que se evidenciaram o uso prejudicial de álcool e suas implicações nas relações familiares. O conceito de dualismo pulsional proposto pela psicanálise nos auxiliou na compreensão do lugar da comida e da bebida nas situações de compulsão. Por último, o filme “Druk – mais uma rodada” nos convoca a relativizar os mais variados consumos, compreendendo que nem todos os usos estarão a serviço de experiências traumáticas, relacionadas a situações de sofrimento. Conclusivamente, podemos dizer que se torna imprescindível incluir os usos de álcool no conceito de comensalidade, sem que sejam considerados tabus, já que o campo da Alimentação e Nutrição tende a moralizar qualquer padrão de consumo. Além disso, faz-se necessário considerar as mais variadas formas de existência, para que possamos afrouxar a compreensão de sintoma, permitindo que as subjetividades deixem as profundezas do subsolo e se autorizem a florescer. |
|---|