Entre os estigmas e o autocuidado: experiências e percepções de uso de PrEP, PEP e autoteste de HIV entre trabalhadoras sexuais cisgênero na cidade de São Paulo

A epidemia de HIV/aids eclodiu no final do século XX como um dos grandes desafios de saúde pública global, e representa uma das principais causas de morte por doenças infecciosas no mundo. Mas as trabalhadoras sexuais (TS) cisgênero e outras populações socialmente marginalizadas são desigualmente at...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Sorrentino, Isa da Silva
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2024
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-28082024-142034
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5137/tde-28082024-142034/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Autoteste
Discriminação social
Enquadramento interseccional
HIV
Intersectional framework
Post-exposure prophylaxis
Pre-exposure prophylaxis
Profilaxia pós-exposição
Profilaxia pré-exposição
Saúde da mulher
Self-testing
Sex work
Social discrimination
Trabalho sexual
Women's health
Descripción
Sumario:A epidemia de HIV/aids eclodiu no final do século XX como um dos grandes desafios de saúde pública global, e representa uma das principais causas de morte por doenças infecciosas no mundo. Mas as trabalhadoras sexuais (TS) cisgênero e outras populações socialmente marginalizadas são desigualmente atingidas pela epidemia, e as profilaxias pré-exposição e pós-exposição sexual e o autoteste de HIV tornaram-se centrais nas estratégias para reduzir essas disparidades, sob o paradigma da prevenção combinada. Por outro lado, esse paradigma pressupõe políticas interligadas e baseadas em evidências para atender a múltiplas dimensões e diferentes populações. Essa pesquisa investiga como a intersecção dos estigmas da prostituição, do HIV/aids e outros marcadores sociais da diferença produzem experiências e percepções sobre os novos métodos biomédicos de prevenção entre TS cisgênero. Metodologicamente, realizaram-se entrevistas semi-estruturadas com 32 mulheres do município de São Paulo, como parte do componente qualitativo do Estudo Combina!. Aplicou-se o método da análise temática para a análise do material empírico, orientada pela perspectiva da interseccionalidade. Os resultados apontam que os estigmas internalizados, antecipados, percebidos e vivenciados pelas entrevistadas se estruturam basicamente em torno das categorias de gênero e trabalho sexual, entrelaçados ao estigma do HIV. Quanto ao papel desses estigmas nas experiências e percepções sobre os métodos de prevenção, emergiram as desigualdades de poder na negociação do uso do preservativo; as restrições do direito à saúde e ao autocuidado; e a falta de divulgação dos novos métodos. O trabalho contribui para o debate sobre as demandas das TS no tocante às políticas de prevenção ao HIV. Espera-se também que ele fomente reflexões sobre a contribuição dos referenciais teóricos das ciências sociais e humanas para refirmar a centralidade dos direitos humanos como princípio norteador no campo da saúde coletiva