Fisiologia da levedura Dekkera bruxellensis durante a fermentação com substratos industriais

A levedura Dekkera bruxellensis tem sido conhecida por sua adaptação aos processos fermentativos industriais, tendo chegado a situações que suplanta a levedura do processo Saccharomyces cerevisiae possuindo rendimentos equivalentes. Apesar de possuir grande adaptabilidade ao ambiente industrial, ain...

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Detalhes bibliográficos
Autor: PEREIRA, Luciana Filgueira
Formato: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2013
País:Brasil
Recursos:Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Repositorio:Repositório Institucional da UFPE
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.ufpe.br:123456789/13410
Acesso em linha:https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/13410
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:Dekkera bruxellensis
Fermentação de etanol
Adaptação industrial
Resistência a estresse
Descrição
Resumo:A levedura Dekkera bruxellensis tem sido conhecida por sua adaptação aos processos fermentativos industriais, tendo chegado a situações que suplanta a levedura do processo Saccharomyces cerevisiae possuindo rendimentos equivalentes. Apesar de possuir grande adaptabilidade ao ambiente industrial, ainda são escassos trabalhos que se dediquem ao estudo de suas características fisiológicas e bioquímicas e que expliquem seu sucesso adaptativo. Este trabalho teve por objetivo descrever o metabolismo fermentativo da levedura GDB 248 em situações que simulem os processos fermentativos industriais na produção do álcool combustível bem como, sua tolerância aos diferentes fatores de estresse presentes no ambiente industrial. Foram realizadas fermentações com reciclo celular em meios sintético e caldo de cana. Os resultados mostraram que as células de D. bruxellensis possuem baixa eficiência no consumo da sacarose (consumo máximo 30%), maior tendência de conversão de açúcar em biomassa, mas exibem rendimentos em etanol próximos ao de S. cerevisiae. Os experimentos de tolerância aos fatores de estresse adicionados nas fermentações mostraram que D. bruxellensis possui, quando comparada a S. cerevisiae, tanto tolerância similar ao etanol quanto sensibilidade a ácidos orgânicos (acético e lático). Não foi detectada a produção de acido acético nas culturas de D. bruxellensis, tendo em ácido lático produção similar a S. cerevisiae. Para avaliar a tolerância de D. bruxellensis ao estresse, foram realizadas curvas de sobrevivência celular na presença dos agentes de estresse: H2O2, etanol, KCl, e após um choque térmico, relacionando o envolvimento de três proteínas de choque térmico no padrão transcricional desta resposta. Em conjunto, os resultados mostraram que as células de D. bruxellensis foram mais sensíveis aos fatores de estresse testados, quando comparados a S. cerevisaie, apesar de exibir tolerância similar ao etanol. Os genes HSP22, HSP24 e HSP82 são apenas responsivos ao choque térmico, mas suas proteínas não conferem tolerância às células. Por fim, para avaliar o comportamento desta levedura em outro substrato, frequentemente utilizado em destilarias no Brasil, e assim, compararmos o melhor desempenho desta espécie realizamos fermentações com reciclo em melaço e, desta vez, determinamos o conteúdo intracelular de trealose e glicogênio. No melaço, D. bruxellensis mostrou comportamento similar quanto à assimilação de sacarose, tendo tendência ao desvio do açúcar para biomassa e rendimento final em etanol equivalente ao produzido pelas células de S. cerevisiae. Mas, neste substrato, foi detectado a produção de ácido acético por esta levedura em quantidades superiores ao detectado nas culturas com S. cerevisiae. Quanto ao conteúdo intracelular dos carboidratos de reserva, só foi possível a detecção de glicogênio em quantidades inferiores a S. cerevisiae, pois nenhuma produção de trealose foi detectada em nossos ensaios.