Autoficção, confissão e história: o escritor-intelectual em Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos

Este trabalho analisa o livro Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos, e focaliza na narrativa as relações entre escrita e experiência, bem como o problema da relação escritor-intelectual. A forma como Graciliano Ramos se autoficcionaliza resulta em uma obra híbrida, mescla de autobiografia, memori...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Bernardes, Erick da Silva
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2018
País:Brasil
Institución:Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:www.bdtd.uerj.br:1/13932
Acceso en línea:http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/13932
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Graciliano Ramos
Memórias do cárcere
Literature
History
Literatura
História
CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS
Descripción
Sumario:Este trabalho analisa o livro Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos, e focaliza na narrativa as relações entre escrita e experiência, bem como o problema da relação escritor-intelectual. A forma como Graciliano Ramos se autoficcionaliza resulta em uma obra híbrida, mescla de autobiografia, memorialismo, ensaio e romance. Tomam-se como metas investigativas as estratégias de composição textual, assim como os mecanismos de autoficção e confissão que formam a narrativa de Ramos, em sua recriação de seu percurso e detenção na extinta Colônia Penal da Ilha Grande. As teses de Jean-Paul Sartre, em Em defesa dos intelectuais, são o ponto de partida para se avançar na discussão do papel do intelectual como alguém que sai de seu campo de atuação em favor dos que não têm voz, noção problematizada por Gayatri C. Spivak, em Pode o subalterno falar? Spivak avalia que a possibilidade do intelectual falar pelos desfavorecidos é uma incongruência a ser contestada. Desta forma, a concentração na temática política representada pelo discurso literário das Memórias do cárcere demonstrou um enunciador comprometido com as formas de atuação crítica no campo intelectual, de forma a nele estabelecer um posicionamento político como intelectual que se vê impelido a denunciar, pela via da ficção, as estruturas de poder e repressão que formaram um período obscuro de nossa história, conhecido como a ditadura da Era Vargas.