O balanço da bacia : água e sensorialidade na Huasteca Potosina central

A escassez de água saudável é um problema que ocupa as agendas política, social e econômicas ao redor do mundo. O conhecimento tradicional, enquanto estratégia de adaptação às mudanças climáticas, desempenha um papel fundamental para pensar em uma racionalidade ecológica como mediadora dessa problem...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: IRURETAGOYENA, Ferdinando Alfonso Armenta
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2024
País:Brasil
Institución:Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Repositorio:Repositório Institucional da UFPE
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.ufpe.br:123456789/66383
Acceso en línea:https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/66383
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Percepção do ambiente
Etnologia Tének
Sacralização da água
Enfoque de bacia
Habilidades
Descripción
Sumario:A escassez de água saudável é um problema que ocupa as agendas política, social e econômicas ao redor do mundo. O conhecimento tradicional, enquanto estratégia de adaptação às mudanças climáticas, desempenha um papel fundamental para pensar em uma racionalidade ecológica como mediadora dessa problemática. O presente trabalho examina a sensorialidade da água entre os tenek da Huasteca Potosina, com o objetivo de compreender o horizonte da percepção e a sacralização do ambiente enquanto síntese cultural. A hipótese de trabalho explora a relação circular entre o modo de identificação tének e o desenvolvimento do sensorial. As habilidades, conhecimentos e tecnologias locais operam como práticas de cativação (Gell, 1998) a partir das quais as pessoas se adaptam as mudanças constantes do ambiente e, de forma concomitante, articulam estratégias de manutenção do ecossistema. Nesse sentido, a metodologia qualitativa a desenvolver deriva de um trabalho de campo extensivo e uma sistematização de dados baseado na saturação de dados. A partir das técnicas de observação direta, entrevista etnográfica, cartografia participativa, registros audiovisuais, reportes oficiais com enfoque de bacia hidrológica e pesquisa- ação, a evidência etnográfica explora a busca da água (alim já), o curandeirismo, as danzas, o bordado tradicional, as bençãos de poço, e o sistema de cargos como formas de conhecimento intimamente ligadas com as habilidades das pessoas para sentir o ambiente. Os resultados sugerem que a experiência sagrada da água abrange um complexo cosmológico, bem como uma engenharia vernácula para resolver problemas relacionados com o armazenamento, disponibilidade e saneamento da água nas comunidades tének, muitas vezes em resposta à pressão de fatores socioambientais exógenos. Embora a relação entre a visão externa (conhecimento científico implementado pelas instituições públicas na Huasteca Potosina) e o conhecimento local tének (kwajíl alwa) pondera critérios divergentes, proponho pensar em um continuum epistemológico que concilie uma forma de conhecimento baseada em resultados medíveis com outra forma baseada na capacidade de produzir afetos. Essa tensão positiva buscará abrir uma janela para pensarmos em alternativas à situação ambiental atual.