Resistência às equinocandinas em pacientes com candidemia persistente

Candidemia persistente tem sido descrita como uma complicação do quadro de candidemia, caracterizada pelo isolamento de Candida spp. em amostras sequenciais de hemocultura após o diagnóstico inicial, mesmo em pacientes expostos ao tratamento antifúngico adequado. Embora fatores predisponentes relaci...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Siqueira, Ricardo Andreotti [UNIFESP]
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2013
País:Brasil
Institución:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Repositorio:Repositório Institucional da UNIFESP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.unifesp.br:11600/23204
Acceso en línea:https://repositorio.unifesp.br/handle/11600/23204
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Candidemia persistente
Equinocandinas
Suscetibilidade a Doenças
Fatores R
Antifúngicos
Humanos
Descripción
Sumario:Candidemia persistente tem sido descrita como uma complicação do quadro de candidemia, caracterizada pelo isolamento de Candida spp. em amostras sequenciais de hemocultura após o diagnóstico inicial, mesmo em pacientes expostos ao tratamento antifúngico adequado. Embora fatores predisponentes relacionados ao hospedeiro já estejam bem estabelecidos, poucos estudos têm analisado os atributos do patógeno envolvidos no desenvolvimento dessa complicação. O objetivo do presente estudo foi avaliar a ocorrência de resistência às equinocandinas em isolados de Candida spp. provenientes de pacientes com candidemia persistente submetidos a terapia antifúngica com esta classe de fármaco. As amostras foram identificadas através de sequenciamento da região ITS do rDNA. O perfil de susceptibilidade in vitro aos antifúngicos foi realizado utilizando metodologia de microdiluição em caldo (CLSI, documento M27-S4). Além disso, nós avaliamos a ocorrência de resistência a partir do sequenciamento do gene FKS1. Dentre 436 pacientes com candidemia, 63 (14,4%) apresentaram quadros de candidemia persistente, desses, 13 atenderam aos critérios de inclusão estabelecidos no presente estudo. Através das identificações fenotípica e molecular, foi observado 5 dos 13 pacientes (38,5%) foram infectados por isolados de C. parapsilosis (sensu stricto), 3 (23%) por isolados de C. albicans, 2 (15,4%) por isolados de C. krusei, 1 (7,7%) por isolado de C. tropicalis e 1 (7,7%) teve como agente etiológico da candidemia isolados de C. orthopsilosis. Além disso, um paciente (7,7%) apresentou episódio de infecção mista com alternância de isolamento de duas diferentes espécies, C. tropicalis e C. parasilosis (sensu stricto). Em relação ao perfil de susceptibilidade aos antifúngicos, a grande maioria dos isolados foi classificada como sensível a todos os antifúngicos testados, com exceção dos cinco isolados de C. krusei provenientes dos pacientes 2 (dois isolados) e 10 (três isolados), os quais apresentaram resistência ao fluconazol e à caspofungina, sendo que dois deles foram intermediários à anidulafungina. Não foi verificado aumento de valores de CIM entre os isolados sequenciais de um mesmo paciente a despeito do tratamento antifúngico utilizado. Nenhum dos isolados apresentou mutação nas regiões dos HS1 e HS2 do gene FKS1, sendo classificados como selvagens em relação aos genótipos de resistência já descritos. Por outro lado, os isolados de C. krusei apresentaram mutação não sinônima em região muito próxima ao HS1, o que poderia, ao menos em parte, explicar o desfecho clínico negativo durante tratamento com equinocandinas e os elevados valores de CIM observados para estes isolados. Os dados obtidos no presente estudo mostram que a ocorrência de resistência às equinocandinas ainda permanece rara em nosso meio, mesmo quando analisada em coorte de pacientes com risco elevado à ocorrência de tal fenômeno. Por fim, conclui-se que as características clínicas do paciente parecem ter maior relevância que os mecanismos de resistência às equinocandinas no que se refere à ocorrência de candidemia persistente.