A rede do esquema transitivo com verbos de ação-processo no português brasileiro

Nesta tese, sob os pressupostos da abordagem construcional da mudança, sistematizada teoricamente por Traugott e Trousdale (2013), investigamos, qualitativa e quantitativamente, construções de estrutura morfológica transitiva instanciadas por verbos de ação-processo. A partir de sua descrição e anál...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Marques, Carolina Medeiros Coelho [UNESP]
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2019
País:Brasil
Institución:Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Repositorio:Repositório Institucional da UNESP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.unesp.br:11449/191776
Acceso en línea:http://hdl.handle.net/11449/191776
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Transitividade
Construcionalização
Gramática das Construções
Verbo transitivo
Construção idiomática
Transitivity
Constructionalization
Construction Grammar
Transitive verbs
Idiomatic construction
Descripción
Sumario:Nesta tese, sob os pressupostos da abordagem construcional da mudança, sistematizada teoricamente por Traugott e Trousdale (2013), investigamos, qualitativa e quantitativamente, construções de estrutura morfológica transitiva instanciadas por verbos de ação-processo. A partir de sua descrição e análise, propomos uma rede construcional transitiva do Português Brasileiro (PB), na qual as construções organizamse hierarquicamente. No nível mais alto, está o esquema transitivo, cujo pareamento é constituído, na contraparte formal, pela propriedade morfológica (sequência de nome, verbo, nome) e, na funcional, pela propriedade pragmática de denotar um evento a partir da perspectiva de quem o pratica. No nível inferior, há 2 subesquemas, que correspondem à construção transitiva e à idiomática, as quais se distinguem tendo em vista as propriedades sintáticas - [S V O] e [S [V N]v] - e semânticas - afetamento e acontecimento - que apresentam. Sob os subesquemas, encontram-se as microconstruções, que apresentam especificidades principalmente semânticas (papeis argumentais do sujeito), mas, também, em alguns casos, pragmáticas (mudança na estrutura informacional). Dentre as 20 microconstruções identificadas, 7 correspondem à construção transitiva prototípica, ou seja, codificam o afetamento do objeto, 6 correspondem à construção transitiva metafórica, nas quais o evento causal é codificado metaforicamente, e 7 correspondem à construção idiomática, em que, ao invés de afetamento, codifica-se um acontecimento. A diversidade de microconstruções que compõem a rede evidencia o caráter esquemático do esquema transitivo, já que diversos itens podem preencher seus slots. Mostramos que os membros periféricos da construção transitiva e as microconstruções metafóricas resultam de mudanças construcionais, enquanto a emergência da construção idiomática decorre da construcionalização lexical. Por fim, concluímos que nem todos os verbos de ação-processo que figuram nas instanciações prototípicas da construção transitiva figuram nas instanciações metafóricas ou nas instanciações da construção idiomática, devido aos seus significados, que são mais especializados. Conforme mostramos, são recrutados para essas construções verbos de ação-processo com significados mais gerais. Trabalhamos, em uma abordagem sincrônica, com ocorrências de fala, coletadas do corpus Iboruna, e de escrita, coletadas do Corpus do Português. Os dados de fala correspondem a entrevistas sociolinguísticas e os de escrita, a textos de blogs e de sites.