Análise do potencial uropatogênico de Escherichia coli enteroagregativa.

A Escherichia coli enteroagregativa (EAEC) é um dos patótipos de E. coli que causam diarreia. EAEC também tem sido associada a casos de infecção do trato urinário (ITU) nos últimos anos. De fato, um subgrupo de cepas fecais de EAEC está inserido nos mesmos grupos filogenéticos de cepas de E. coli ur...

Full description

Bibliographic Details
Author: Silva, Jonatas William
Format: master thesis
Status:Published version
Publication Date:2020
Country:Brasil
Institution:Universidade de São Paulo (USP)
Repository:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-04012022-090601
Online Access:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42132/tde-04012022-090601/
Access Level:Open access
Keyword:Escherichia coli
Bacterial infections
Infecções bacterianas
Infecções urinárias
Urinary infections
Virulence
Virulência
Description
Summary:A Escherichia coli enteroagregativa (EAEC) é um dos patótipos de E. coli que causam diarreia. EAEC também tem sido associada a casos de infecção do trato urinário (ITU) nos últimos anos. De fato, um subgrupo de cepas fecais de EAEC está inserido nos mesmos grupos filogenéticos de cepas de E. coli uropatogênicas (UPEC) carreando marcadores de EAEC, dessa forma apresentando correlação filogenética. Esses dados apontam para a possibilidade de que pelo menos um subgrupo de cepas de EAEC tenha potencial uropatogênico. Devido a esses fatos, o objetivo do presente estudo foi determinar as propriedades uropatogênicas de cepas de EAEC que possuem marcadores genéticos de E. coli patogênica extraintestinal (ExPEC). Para esse fim foram selecionadas 33 EAEC apresentando marcadores genéticos de ExPEC (EAEC/ExPEC+), isto é, a presença de pelo menos dois dos genes afa/dra, iutA, sfa/foc, kpsMTII e papA/papC. Para fins comparativos também foram selecionadas 11 cepas de EAEC sem esses marcadores (EAEC/ExPEC-) e 18 cepas de UPEC. Inicialmente, todas as cepas foram testadas quanto à capacidade de aderência nas células da linhagem 5637 (bexiga humana) e HEK293 (rim embrionário humano). Os ensaios realizados com células de bexiga mostraram que 82% das cepas analisadas eram aderentes, 12% causaram destacamento celular e 6% não aderiram; enquanto os ensaios realizados com células renais mostraram que 88% eram aderentes e 12% causaram descolamento celular. Houve semelhança entre os perfis das linhagens EAEC/ExPEC+ e UPEC, onde o descolamento celular foi verificado. As cepas citodestacantes apresentaram atividade &#945-hemolítica detectada em ágar sangue de carneiro. A presença da fímbria tipo 1 foi investigada indiretamente pela aglutinação de Saccharomyces cerevisiae. A aglutinação foi detectada em 66,1% de todas as cepas e esse fenótipo foi inibido pela presença de D-manose a 2%, indicando a expressão da fímbria tipo 1 na maioria das cepas estudadas, sem diferenças entre os grupos de cepas. A produção de biofilme em poliestireno também foi avaliada na presença e ausência de 1% de metil &#945-D-manopiranósido (&#945-D-man) e observou-se que no grupo das EAEC/ExPEC+ a formação de biofilme foi detectada em 60,6% das cepas e esse fenótipo não foi inibido pelo &#945-D-man, sugerindo que outras adesinas, além da fímbria tipo 1, podem estar envolvidas na produção de biofilme por essas cepas. Um modelo de ITU ascendente com camundongos C57BL/6 foi realizado para investigar a capacidade uropatogênica das cepas. Todas as cepas EAEC/ExPEC+ avaliadas foram capazes de causar ITU nesse modelo, enquanto apenas uma cepa EAEC/ExPEC- causou ITU. Não houve associação entre a capacidade de causar ITU e os fatores de virulência de EAEC e UPEC pesquisados. Por fim, conclui-se que cepas fecais de EAEC com background genético contendo marcadores de ExPEC são capazes de colonizar o uroepitélio de forma mais eficiente e assim ocasionar cistite e pielonefrite em camundongos C57BL/6. Dessa forma, cepas de EAEC fecais que possuem essas combinações de genes apresentam potencial uropatogênico.