Vidas estreitas : direito e literatura no romance Solitária, de Eliana Alves Cruz

A presente dissertação investiga a representação das trabalhadoras domésticas nos campos da literatura, pela análise da obra Solitária, de Eliana Alves Cruz (2022), e do direito do trabalho, buscando compreendê-la na realidade social brasileira, especialmente quanto ao estreitamento que ocorre em su...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Barbosa, Mônica de Souza
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Institución:Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:tede2.pucrs.br:tede/11605
Acceso en línea:https://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/11605
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Direito e Literatura
Trabalhadoras Domésticas
Espaço e Opressão
Eliana Alvez Cruz
Derecho y Literatura
Trabajadoras Domésticas
Espacio y Opresión
Law And Literature
Domestic Workers
Space And Oppression
LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS
Descripción
Sumario:A presente dissertação investiga a representação das trabalhadoras domésticas nos campos da literatura, pela análise da obra Solitária, de Eliana Alves Cruz (2022), e do direito do trabalho, buscando compreendê-la na realidade social brasileira, especialmente quanto ao estreitamento que ocorre em suas vidas. A pesquisa reproduz a evolução jurídica do trabalho doméstico no Brasil até o advento da esperada Lei nº 150 de 2015 que visa significativa proteção legal à categoria das trabalhadoras domésticas, amplamente abandonada no decorrer dos anos. Alicerçado em parâmetros concedidos pelo DIEESE e pelo IBGE, o presente trabalho demonstra a preponderância de mulheres negras nas vagas ocupadas de trabalho doméstico. Tal informação demanda estudo acerca da crítica feminista sobre o trabalho doméstico e, principalmente o estudo do movimento feminista negro sobre a temática. A pesquisa fundamenta-se, entre outros, nos textos das autoras Lélia Gonzalez (2020), Cida Bento (2022), Juliana Teixeira (2021) e Sueli Carneiro (2011) que produzem conhecimentos acerca das inegáveis intersecções entre os conceitos de racismo, machismo e opressão de classe para a perpetuação da invisibilização das trabalhadoras em empregos domésticos. O estudo também analisa os espaços de desigualdade social e opressão que estruturam as relações de trabalho doméstico, destacando suas raízes históricas, principalmente alicerçadas no escravismo que perdurou no Brasil. A dissertação analisa e confirma que a literatura brasileira contemporânea, simbolizada pela obra Solitária, de Eliana Alves Cruz (2022), não se omite do cenário verificado, pelo contrário, ela desempenha importante papel questionador, que atua como instrumento eficaz de denúncia e de reflexão sobre as condições de trabalho e as limitações de vida a que as trabalhadoras domésticas são submetidas. Os conceitos jurídicos abordados e o estudo interseccional feminista são corroborados na narrativa estudada, evidenciando o espectro de desvalorização e apagamento das vidas operárias.