Memória encarnada: poética e violência na performance de mulheres da arte contemporânea

Esta tese investigou a produção de mulheres em performance no acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP) a partir da perspectiva da violência. Para análise das obras, a performance é tratada tanto como objeto quanto como método, ancorando a interpretação das obras n...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Silva, Aila Regina da
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-17092025-160406
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/93/93131/tde-17092025-160406/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Body
Corpo
Dança
Dance
Gender
Gênero
Performance
Violence
Violência
Descripción
Sumario:Esta tese investigou a produção de mulheres em performance no acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP) a partir da perspectiva da violência. Para análise das obras, a performance é tratada tanto como objeto quanto como método, ancorando a interpretação das obras na experiência de improvisação com dança, denominadas Práticas Dirigidas de Dança (PDD), realizadas durante a pesquisa e, por fim, em análises teóricas de teor social, cultural e político. Essa abordagem teórico-prática utiliza a própria dança como método de análise, entrelaçando a experiência sensível da prática do corpo ao arquivo de performance formado para esta pesquisa, numa circulação de saberes do corpo e da teoria, promovendo uma imersão profunda nas obras e permitindo uma compreensão mais sensível e complexa da experiência artística. Desconstruiu-se a naturalização da violência contra a mulher ao abordar uma concepção mais ampla dessa violência, que se estende desde os atos cotidianos individuais até os traumas coletivos que atravessam gerações. Essa desconstrução permitiu evidenciar como a violência se manifesta de maneira sutil e, muitas vezes, silenciosa, permeando estruturas sociais, culturais e institucionais que moldam os corpos e as subjetividades de mulheres. Especificaram-se, assim, as etapas de um condicionamento físico e psicológico que impõe às mulheres uma existência pautada pela dor, através de uma imposição e exclusão estética, primeiro sobre seus corpos e, também, sobre seu fazer artístico. A sacralização da virtuose feminina surge como uma forma de controle, uma roupagem moderna para uma camisa de força antiga, que permite a entrada de uma estética não canônica, desde que esteja dentro desse parâmetro. Esse ciclo contínuo, revestido de novos discursos e estéticas contemporâneas, reafirma velhas estruturas de dominação quando se torna uníssono e homogêneo. O corpo foi apresentado como um lugar de apreensão das coisas e a performance como um meio de transformação sociocultural, entendendo que, por meio de hábitos e repetições, assimila e organiza códigos corporais que sustentam estruturas sociais e culturais. A performance é colocada como uma ferramenta para questionar e modificar esses códigos, explorando como a repetição de gestos e movimentos pode revelar padrões históricos e sociais enraizados, bem como criar novas possibilidades de existência. Buscou-se, ainda, refletir sobre a documentação da performance artística em museus, explorando as implicações de arquivar práticas corporais e as tensões entre a preservação institucional e a lógica efêmera da performance. O principal argumento foi que o ato de arquivar performances não é uma prática neutra, pois implica em moldar a narrativa histórica e pessoal das artistas, muitas vezes submetendo-as às estruturas institucionais que podem elitizar ou restringir o acesso ao conhecimento performático. Por fim, propuseram-se práticas institucionais específicas à performance, que não deve ser reduzida aos registros audiovisuais ou objetos cênicos, mas sim compreendida como uma prática viva, cuja essência está na transmissão de conhecimento corporal ao longo do tempo