Bedaquilina e as inconsistências na resistência fenotípica e molecular de isolados clínicos de Mycobacterium tuberculosis no estado de São Paulo

A tuberculose apresenta mundialmente a segunda maior taxa de mortalidade entre as doenças infecciosas, associada principalmente à resistência a isoniazida e rifampicina (multirresistência, TB-MR). Para esses casos, o novo antimicrobiano bedaquilina (BDQ) mostrou grande eficácia, tornando-se componen...

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Detalles Bibliográficos
Autores: Brandao, Angela Pires, Santos, Débora Pereira dos, Pinhata, Juliana Maira Watanabe, Oliveira, Rosângela Siqueira de, Chimara, Erica, Campos, Karoline Rodrigues, Sacchi, Claudio Tavares, Ferrazoli, Lucilaine
Tipo de recurso: artículo
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2024
País:Brasil
Institución:Instituto Adolfo Lutz
Repositorio:Revista do Instituto Adolfo Lutz (Online)
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:ojs.periodicos.saude.sp.gov.br:article/41032
Acceso en línea:https://periodicos.saude.sp.gov.br/RIAL/article/view/41032
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Mycobacterium tuberculosis
Tuberculose Resistente a Múltiplos Medicamentos
Diarilquinolinas
Descripción
Sumario:A tuberculose apresenta mundialmente a segunda maior taxa de mortalidade entre as doenças infecciosas, associada principalmente à resistência a isoniazida e rifampicina (multirresistência, TB-MR). Para esses casos, o novo antimicrobiano bedaquilina (BDQ) mostrou grande eficácia, tornando-se componente essencial do regime oral de tratamento da TB-MR, introduzido no Brasil em 2021. Para o teste de sensibilidade fenotípico em MGIT, estabeleceu-se a concentração crítica (CC) de 1,0 µg/mL, mesmo com evidências limitadas, o que pode causar categorização incorreta de resistência. O gene mmpR5 está associado com resistência à BDQ (BDQ-R) de baixo nível e, em estudo realizado no Instituto Adolfo Lutz Central, três de seis isolados com mutações nesse gene mostraram se sensíveis (BDQ-S) fenotipicamente. Para avaliar a suscetibilidade a uma concentração menor de BDQ, reavaliamos o teste com 0,5 e 1,0 µg/mL do fármaco, utilizando o módulo TB eXiST, que permite o monitoramento contínuo da cultura em MGIT. Assim, foi possível verificar se havia crescimento na presença do antimicrobiano após o controle positivar. Embora esse resultado indique sensibilidade ao fármaco, pode-se verificar se havia nas culturas uma subpopulação de bactérias resistentes. Os três isolados anteriormente BDQ-R na CC, com as mutações mmpR5_E49fsE41*+P129fs (n = 2) e mmpR5_E49fsE41*, mantiveram-se resistentes. Os três BDQ-S (mmpR5_A12fs; mmpR5_E49fsE41*; mmpR5_D47fsE81*+E49fsE41*+I67fsE81*) cresceram na CC em até três dias após o controle, equivalente a uma subpopulação de ~10% de bactérias resistentes. Apenas um resistiu a 0,5 µg/mL de BDQ. Esses resultados apontam que mutações no mmpR5 podem ser categorizadas erroneamente como BDQ-S pelo MGIT. Ambos os testes, fenotípico e genotípico, apresentam sensibilidade limitada, e o número de isolados BDQ-R ainda é pequeno mundialmente para avaliar melhor os mecanismos de resistência à BDQ. Assim, uma conduta diagnóstica criteriosa deve se basear em teste fenotípico e sequenciamento do genoma, além de consulta ao catálogo de mutações da Organização Mundial da Saúde para interpretação dos resultados.