O cuidado perigoso: tramas de afeto e risco na Serra Leoa (a epidemia de Ebola contada pelas mulheres, vivas e mortas)

Durante os anos de 2013 a 2016, a África do Oeste, mais precisamente a região do Mano River Union Libéria, Serra Leoa e Guiné-Conacri viveu sob uma das piores epidemias do vírus do ebola ocorridas desde 1976, ano do primeiro relato do vírus no antigo Zaire (atual Congo). Entendendo a epidemia como l...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Pimenta, Denise Moraes
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2019
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-17062019-142750
Acceso en línea:http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-17062019-142750/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:África do Oeste
Civil War
Cuidado perigoso
Dangerous care
Ebola epidemic
Epidemia do ebola
Guerra civil
Mulheres
Serra Leoa
Sierra Leone
West Africa
Women
Descripción
Sumario:Durante os anos de 2013 a 2016, a África do Oeste, mais precisamente a região do Mano River Union Libéria, Serra Leoa e Guiné-Conacri viveu sob uma das piores epidemias do vírus do ebola ocorridas desde 1976, ano do primeiro relato do vírus no antigo Zaire (atual Congo). Entendendo a epidemia como locus privilegiado para a compressão das estruturas de uma sociedade, podendo descortinar conflitos políticos e desigualdades sociais e econômicas, dediquei-me à feitura de uma etnografia na Serra Leoa, durante 9 meses, momento em que morei em Freetown, a capital do país, e também em comunidades rurais. Na medida em que a epidemia neste país matou mais mulheres do que homens, busquei entender o porquê deste fato. Para tanto, segui as histórias de três mulheres mortas por conta do vírus: Jinnah Amana da comunidade de Komende-Luyama, Isha Tullah de Devil Hole e Fatmata de John Thorpe. A partir de um intenso trabalho de campo, concluí que a maior mortandade de mulheres serra-leonenses estava diretamente relacionada ao trabalho do cuidado dispendido a seus familiares e amigos. Deste modo, a epidemia do ebola na Serra Leoa era generificada, colocando mulheres em risco por conta da pesada responsabilização destas perante a trama de parentesco e afetos. Diante disso, cunhei o termo cuidado perigoso como uma categoria boa para pensar as relações de gênero por detrás da epidemia do ebola na Serra Leoa. Portanto, esta pesquisa segue as narrativas reveladoras de mulheres, vivas e mortas, a respeito do ebola na Serra Leoa. Narrativas estas que apontaram para a impossibilidade de se entender a epidemia do Ebola ou qualquer outro fenômeno social da Serra Leoa - sem se acessar as memórias da guerra civil vivida no país durante os anos de 1991 a 2002.