A epidemia do “amor”: uma etnografia por dentro do cuidado perigoso na Serra Leoa

O presente ensaio é resultado de minha pesquisa de doutoramento em Antropologia Social que objetivou entender o porquê de mais mulheres do que homens terem morrido por conta do vírus ebola na Serra Leoa entre os anos de 2014 a 2016. Para tanto, por meio de uma descida ao cotidiano das serra-leonense...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Pimenta, Denise
Tipo de recurso: artículo
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2021
País:Brasil
Institución:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Repositorio:Exilium - Revista de Estudos da Contemporaneidade
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:ojs.pkp.sfu.ca:article/12214
Acceso en línea:https://periodicos.unifesp.br/index.php/exilium/article/view/12214
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Serra Leoa
Epidemia do ebola
Mulheres
Cuidado perigoso
Amor
Sierra Leone
Ebola Epidemic
Women
Dangerous care
Love
Descripción
Sumario:O presente ensaio é resultado de minha pesquisa de doutoramento em Antropologia Social que objetivou entender o porquê de mais mulheres do que homens terem morrido por conta do vírus ebola na Serra Leoa entre os anos de 2014 a 2016. Para tanto, por meio de uma descida ao cotidiano das serra-leonenses, pude observar que, apesar da grande espetacularização ao redor da epidemia, ela nada mais é do que uma doença do âmbito doméstico, afetando muito mais mulheres na medida em que são estas as responsáveis pelo trabalho do cuidado (amor) em relação aos familiares e às comunidades. Portanto, as redes deafeto se tornaram as mesmas de transmissão do vírus, colocando em risco, principalmente, mulheres e suas crianças. Para pensar essa complexa trama, cunhei o termo “o cuidado perigoso”, o que, a despeito do que possa parecer, é algo ordinário na vida das mulheres e meninas, indo muito além do extraordinário momento da epidemia do ebola.