Morfometria das antenas das abelhas crepusculares e/ou noturnas (Hymenoptera: Apoidea) e um novo enfoque metodológico para conhecer sua diversidade

As abelhas crepusculares e/ou noturnas raramente são coletadas, pois forrageiam antes de nascer e depois do pôr do sol ou durante a noite. Esse grupo caracteriza-se por possuir grandes ocelos e olhos compostos de aposição modificados para se orientar em ambientes com condições de pouca luminosidade....

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Martínez, Carlos Augusto Martínez
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2021
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-17062021-191557
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59131/tde-17062021-191557/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:2-phenylethanol
Alometria
Alometry
Antena segments
Compostos orgânicos voláteis
Floral volatiles
Megalopta
Olfactory system
Ptiloglossa
Segmentos antenais
Sistema olfativo
Descripción
Sumario:As abelhas crepusculares e/ou noturnas raramente são coletadas, pois forrageiam antes de nascer e depois do pôr do sol ou durante a noite. Esse grupo caracteriza-se por possuir grandes ocelos e olhos compostos de aposição modificados para se orientar em ambientes com condições de pouca luminosidade. Os estudos morfométricos realizados neste grupo de abelhas dão enfoque no sistema ótico, analisando principalmente a forma, o comprimento e a área dos olhos, omatídeos, ocelos, e rabdômeros. No sistema olfativo, alguns estudos foram feitos na identificação de voláteis florais associados ao processo de forrageamento destas abelhas. Em contra partida, as análises morfométricas do sistema olfativo são escassas e estão restritas ao registro de sensilas em duas espécies noturnas e a medidas de alguns segmentos das antenas para descrições taxonômicas. Este estudo propôs comparar a variação morfométrica de comprimento, diâmetro e área dos segmentos antenais entre abelhas noturnas e diurnas e avaliar a existência de uma correlação entre o tamanho dos segmentos antenais e a distância intertegular nas abelhas noturnas. Para isso foram examinadas abelhas de seis espécies noturnas e quatro espécies diurnas provenientes de diferentes localidades. As espécies noturnas analisadas foram Megalopta aegis, Megalopta amoena, Megommation insigne, Ptiloglossa latecalcarata, Zikanapis seabrai e Zikanapis zikani. Já as espécies diurnas foram Augochloropsis cognata, Bombus brasiliensis, Centris nitens e Apis mellifera. As abelhas noturnas foram atraídas e coletadas com voláteis florais. As abelhas diurnas foram capturadas em flores (abelha do mel) ou obtidas em coleções entomológicas. No total foram analisadas 127 abelhas, 60 diurnas e 67 noturnas. Os resultados das análises morfométricas mostraram que as abelhas noturnas de porte médio dos gêneros Megalopta e Megommation e a abelha de grande porte P. latecalcarata apresentam valores médios significativamente maiores de comprimento, diâmetro e área na maioria dos segmentos, em especial dos segmentos F5 - F10, quando comparado com as espécies diurnas A. cognata, B. brasiliensis e C. nitens. Por outro lado, o tamanho dos segmentos antenais não apresenta correlação com a distância intertegular em pelo menos três espécies de abelhas noturnas. Em abelhas noturnas que usam pistas olfativas para encontrar fontes de alimentos, um maior tamanho dos segmentos possivelmente está relacionado com a disponibilidade de área para os órgãos sensoriais (sensilas) capazes de detectar estímulos químicos, assim como acontece nas antenas de machos de mariposas e de abelhas sociais, onde um maior tamanho e número de sensilas quimioreceptoras permite detectar fêmeas. No capítulo 2 desta dissertação apresentamos um estudo que propõe a utilização de compostos químicos, imitando os voláteis florais de plantas com antese noturna, na atração e captura das abelhas noturnas. Os dados apresentados provêm de uma revisão bibliográfica e de coletas recentes. Representantes de 14 espécies de abelhas noturnas foram capturados, sendo Megalopta o gênero mais numeroso (nove espécies). Estas abelhas foram atraídas por ao menos 10 compostos químicos identificados dos buquês florais ou mistura dos mesmos. O composto 2-phenylethanol foi o mais atrativo. Este método de amostragem pode ser incorporado aos levantamentos de apifauna para aumentar o conhecimento sobre a diversidade de abelhas noturnas.