O belo e terrível mundo de Brás Cubas e a impossibilidade da morte

Antes de falar de Brás Cubas, reproduzo em português uma pequena narrativa contida no livro Il fuoco e il racconto, de Giorgio Agamben (2014, p. 7). Quando Baal Schem, o fundador do chassidismo, devia resolver uma tarefa difícil, ia a um certo lugar no bosque, acendia um fogo, fazia as orações, e as...

ver descrição completa

Detalhes bibliográficos
Autor: Bylaardt, Cid Ottoni
Formato: capítulo de livro
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2018
País:Brasil
Recursos:Universidade Federal do Ceará (UFC)
Repositorio:Repositório Institucional da Universidade Federal do Ceará (UFC)
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.ufc.br:riufc/40916
Acesso em linha:http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/40916
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:Brás Cubas
Narrativa
Alegoria na Literatura
Descrição
Resumo:Antes de falar de Brás Cubas, reproduzo em português uma pequena narrativa contida no livro Il fuoco e il racconto, de Giorgio Agamben (2014, p. 7). Quando Baal Schem, o fundador do chassidismo, devia resolver uma tarefa difícil, ia a um certo lugar no bosque, acendia um fogo, fazia as orações, e assim o que desejava se realizava. Quando, uma geração depois, Maggid di Meseritsch diante do mesmo problema, se colocou no mesmo lugar do bosque e disse: “Não sabemos mais acender o fogo, mas podemos dizer as orações” – e tudo se resolveu conforme seu desejo. Ainda uma geração depois, Rabbi Mosche Leib di Sassov se encontrou na mesma situação, foi ao bosque e disse: “Não sabemos mais acender o fogo, não sabemos mais dizer as orações, mas conhecemos o lugar no bosque, e isto deve bastar”. E de fato bastou. Mas quando uma outra geração transcorreu e Rabbi Israel di Rischin defrontou-se com a mesma dificuldade, permaneceu em seu castelo, deixou-se estar em sua cadeira dourada e disse: “Não sabemos mais acender o fogo, não somos capazes dizer as orações, não conhecemos nem mesmo o lugar no bosque: mas de tudo isso podemos contar a história”. E, mais uma vez, isso bastou. (AGAMBEN, 2014, p. 7-8) Em seguida, o pensador italiano diz que essa passagem pode ser lida como uma alegoria da literatura, e faz algumas reflexões sobre o texto literário, e particularmente o romance. [...]