Possessivos de 3a pessoa: o português arcaico e o português brasileiro contemporâneo

Neste texto tratamos de algumas estratégias de posse, em particular, as que se referem a aspectos sintáticos e semânticos envolvendo os possessivos de 3a pessoa seu e dele, numa perspectiva comparativa entre duas gramáticas: a do português arcaico (PA) e a do português brasileiro contemporâneo (PB)....

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Detalhes bibliográficos
Autores: Morais, Maria Aparecida Torres, Ribeiro, Ilza
Formato: artículo
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2014
País:Brasil
Recursos:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Filologia e Linguística Portuguesa
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:revistas.usp.br:article/88403
Acesso em linha:https://revistas.usp.br/flp/article/view/88403
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:Possessives
Brazilian Portuguese
Old Portuguese
Pronominal system.
Possessivo de 3a pessoa. Anáfora. Variável. Português brasileiro. Português arcaico.
Descrição
Resumo:Neste texto tratamos de algumas estratégias de posse, em particular, as que se referem a aspectos sintáticos e semânticos envolvendo os possessivos de 3a pessoa seu e dele, numa perspectiva comparativa entre duas gramáticas: a do português arcaico (PA) e a do português brasileiro contemporâneo (PB). Com base em Müller (1997) e Menuzzi (1999, 2003 a, b), rejeitamos a hipótese da perda da forma seu de 3a pessoa, por ter sido a mesma reanalisada como pronome de 2a pessoa nocional. Ao contrário, propomos que as restrições ao antecedente referencial impostas ao anafórico seu de 3a pessoa, no PB falado, evidencia que a forma está se especializando na interpretação de variável ligada. Evidencia igualmente a atuação de uma condição sintática nas dependências anafóricas, a Condição da Cadeia, que se aplica no nível sentencial e reflete a forma como a sintaxe interpreta princîpios que atuam na anáfora discursiva. No PA, ao contrário, seu é exclusivo da 3a pessoa, podendo tomar antecedentes referenciais e ser ligado por antecedentes quantificados. No entanto, o fato de não expressar morfossintaticamente os traços de número (e gênero) do possuidor pode ter sido um fator determinante no uso possessivo da forma perisfrástica dele. Embora pouco produtivo no documento arcaico estudado, dele aparece nas estrutura de redobro seu...dele, e em alguns contextos de variação seu e dele. Outras estratégias de posse são abordadas, entre elas, os usos clíticos dativos lhe/lhe~lhi/lhis. Concluímos nosso texto com uma reflexão a respeito do que teria causado a reanálise diacrônica que culminou em um traço inovativo nos usos da forma seu de 3a pessoa no PB.