Da adolescência em perigo à adolescência perigosa

Este artigo trata da relação intrínseca entre a definição de adolescência e a idéia de delinqüência juvenil pré-existente, tomada de empréstimo da filantropia e dos tratados jurídicos do século XIX, a partir da qual delineou-se a figura do adolescente “ideal”. Resulta da análise de livros e textos d...

Full description

Bibliographic Details
Author: César, Maria Rita de Assis
Format: article
Status:Published version
Publication Date:1999
Country:Brasil
Institution:Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Repository:Educar em Revista
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:revistas.ufpr.br:article/2048
Online Access:https://revistas.ufpr.br/educar/article/view/2048
Access Level:Open access
Keyword:adolescência; delinqüência; (psico)pedagogia; adolescence; delinquence; (psycho)pedagogy.
Description
Summary:Este artigo trata da relação intrínseca entre a definição de adolescência e a idéia de delinqüência juvenil pré-existente, tomada de empréstimo da filantropia e dos tratados jurídicos do século XIX, a partir da qual delineou-se a figura do adolescente “ideal”. Resulta da análise de livros e textos da (psico)pedagogia – produzidos entre a primeira década do século XX até os anos setenta –, os quais, por meio de um discurso próprio, traçaram definições e problemáticas, caracterizando cientificamente o surgimento de uma nova subjetividade, a adolescência. Essa pesquisa demonstra ainda alguns deslocamentos posteriores da definição de adolescência – como o rebelde sem causa e o jovem revolucionário – e que, ainda com a criação desses novos personagens, a imagem do adolescente transgressor permaneceu vigente no imaginário social, definindo e determinando os destinos deste sujeito. Abstract This paper deals with the intrinsic relationship between adoslence definition and juveline delinquence, based upon philanthropy, and Judicial Treaties from the XIX century, from where the “ideal” adolescent was borrowed . It results from an analysis of (Psycho) Pedagogy books and texts from the first decades of the XX century until the seventies – which by using their jargons, designed definitions which led to problematic situations, and so scientifically identified a new ADOLESCENCE. This paper explains why there are late phases of adolescence – as the rebel without a cause and the revolutionary young man – and consequently new characters are created, and the image of the criminal juveline remained in the social imaginary,thus defining and procastinating his/her fate.