Vitimização e delinquência na adolescência: indicadores de problemas de saúde mental e interação com a família

Na adolescência, a exposição a experiências potencialmente estressoras, como vitimização e delinquência, pode aumentar o risco de desenvolvimento de problemas de saúde mental. Jovens que são tanto vítimas quanto infratores (sobreposição vítima-infrator) formam um grupo especialmente vulnerável. Para...

ver descrição completa

Detalhes bibliográficos
Autor: Costa, Rafaelle Carolynne Santos
Tipo de documento: tese
Estado:Versão publicada
Data de publicação:2025
País:Brasil
Recursos:Universidade de São Paulo (USP)
Repositório:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:português
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-22042025-173759
Acesso em linha:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59141/tde-22042025-173759/
Access Level:Acceso aberto
Palavra-chave:International Self-Report Delinquency Study (ISRD)
Adolescence
Adolescência
Delinquência juvenil
Juvenile delinquency
Mental health
Saúde mental
Victimization
Vitimização
Descrição
Resumo:Na adolescência, a exposição a experiências potencialmente estressoras, como vitimização e delinquência, pode aumentar o risco de desenvolvimento de problemas de saúde mental. Jovens que são tanto vítimas quanto infratores (sobreposição vítima-infrator) formam um grupo especialmente vulnerável. Para estes jovens, as relações de apoio social, como da família, são fundamentais para mitigar os efeitos negativos do envolvimento nestas experiências. Contudo, o envolvimento em violência pode afetar negativamente as interações dos adolescentes com suas famílias. Assim, a presente tese teve como objetivo geral testar os efeitos de experiências prévias de vitimização e delinquência em indicadores de problemas de saúde mental na percepção atual dos adolescentes sobre a interação com sua família. Para alcançar este objetivo geral, esta tese se divide em três estudos. O primeiro estudo, intitulado \"Experiences of victimization and offending and their impact on mental health among Brazilian adolescents\", teve como objetivo testar os efeitos da vitimização, da delinquência e sobreposição de ambas ocorrências em indicadores de sintomatologia de saúde mental. A amostra deste estudo é proveniente do International Self-Report Delinquency Study 4 (ISRD4) no Brasil, e foram analisados dados de 1624 adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos. Os adolescentes vítima-infratores apresentaram mais indicadores de problemas de ansiedade/depressão, ideação suicida e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), seguidos dos adolescentes vítimas. Ser do sexo feminino, ter experienciado mais eventos adversos de vida (como a morte de um familiar) e ter percepção relativa de baixa posição econômica estiveram associados a mais indicadores de problemas de saúde mental. Na sequência, o segundo estudo, \"Indicadores de problemas de saúde mental em adolescentes brasileiros com relato de violentos, não violentos e sem prática de delitos anterior\", objetivou Averiguar a associação entre a prática de delitos violentos e indicadores de sintomatologia de saúde mental. A amostra deste estudo foi composta por 844 adolescentes do sexo masculino, com idades entre 14 e 19 anos, sendo 104 adolescentes institucionalizados em unidades de privativas de liberdade (Fundação CASA), e subamostra de adolescentes escolares que participaram do ISRD4 no Brasil, composta por 740 adolescentes. A prática de delitos violentos associou-se positivamente aos indicadores de problemas de saúde mental (ansiedade/depressão, ideação suicida, TDAH). A prática de delitos não violentos não se associou somente aos indicadores de sintomas de ideação suicida. Finalmente, o terceiro estudo, intitulado \"The consequences of victimization and offending for interactions with the family in middle to late adolescence: A comparison between Brazil and the United Kingdom\", teve como objetivo, testar os efeitos da vitimização e/ou delinquência na sua percepção atual sobre a interação com a família em dois contextos culturais diferentes: Brasil e Reino Unido (UK). A amostra foi composta por 4816 adolescentes participantes do ISRD4, com idades entre 13 e 17 anos, sendo 1908 do Brasil e 2908 do Reino Unido. As consequências do envolvimento com delitos (como infrator) impactam negativamente a interação dos adolescentes com suas famílias e são semelhantes entre os países. As consequências da vitimização, seja como vítima ou vítima-infrator, seguem padrões diferentes nos dois países estudados. As implicações dos resultados obtidos são discutidas na sessão final desta tese.