Coinfecção leishmaniose visceral e Aids no Brasil, 2001 a 2010

As recentes alterações nos perfis epidemiológicos da leishmaniose visceral (LV) e da aids no Brasil, como o processo de urbanização da LV simultaneamente à interiorização da infecção pelo HIV, tem levado a um aumento do número de pessoas coinfectadas Leishmania/HIV. A coexistência das duas doenças f...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Gomes, Marcia Leite de Sousa
Formato: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2012
País:Brasil
Recursos:Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)
Repositorio:Repositório Institucional da FIOCRUZ (ARCA)
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:arca.fiocruz.br:icict/24693
Acesso em linha:https://arca.fiocruz.br/handle/icict/24693
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:Leishmaniose visceral
Aids
HIV
Coinfecção
Infecção Oportunista
Visceral leishmaniasis
Coinfection
Opportunistic Infection
Infecções Oportunistas
Leishmaniose Visceral/complicaçöes
Síndrome de Imunodeficiência Adquirida/complicaçöes
Infecções por HIV/complicaçöes
Descrição
Resumo:As recentes alterações nos perfis epidemiológicos da leishmaniose visceral (LV) e da aids no Brasil, como o processo de urbanização da LV simultaneamente à interiorização da infecção pelo HIV, tem levado a um aumento do número de pessoas coinfectadas Leishmania/HIV. A coexistência das duas doenças faz com que ambas se tornem mais graves, a LV acelera o surgimento da aids em indivíduos infectados com o HIV, levando à imunossupressão cumulativa e estimulando a replicação do vírus. Por outro lado, em áreas endêmicas para LV a aids aumenta de cem a mil vezes o risco da doença. Considerando que o mapeamento e a análise de tendências constituem-se em ferramentas essenciais para o desenvolvimento de uma estratégia para a abordagem da coinfecção no Brasil, este estudo teve como objetivo descrever o perfil clinicoepidemiológico dos pacientes com LV coinfectados com aids, comparando com o perfil dos pacientes com LV sem a coinfecção. Para tanto, foi realizado um estudo descritivo utilizando dados secundários de LV notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e de aids consolidado pelo Departamento de DST, aids e hepatites virais do Ministério da Saúde. Os casos de coinfecção LV/aids foram obtidos por meio do relacionamento das bases de dados de LV e aids utilizando a técnica de "linkage" por pareamento probabilístico pelo programa RecLink III. Foram obtidos 760 casos de coinfecção LV/aids, prevalecendo em adultos do sexo masculino. A distribuição espacial dos casos de coinfecção evidenciaram áreas de sobreposição das duas doenças. O perfil dos pacientes coinfectados LV/aids e LV/HIV apresentou semelhanças que permitiram analisá-los como um grupo único de coinfectados. Ao comparar o grupo de coinfectados com o grupo de não-coinfectados observou-se que fraqueza, emagrecimento, tosse, quadro infeccioso associado e fenômenos hemorrágicos foram características mais frequentes nos coinfectados, que apresentaram uma letalidade de 25%, sendo esta três vezes maior do que nos não coinfectados. A proporção de recidivas foi duas vezes maior nos coinfectados do que nos não coinfectados. Os resultados do presente estudo trazem contribuições para o conhecimento do comportamento da coinfecção LV/aids no Brasil que poderão auxiliar na identificação de pontos importantes para o aprimoramento do cuidado aos pacientes com LV e HIV evitando a progressão das duas doenças.