Arqueobotânica e mudanças socioeconômicas durante o Holoceno Médio no sudoeste da Amazônia
Nos últimos dez anos, há um crescente esforço na Arqueologia Amazônica para repensar as mudanças sociais e econômicas acerca dos processos de longa duração dos povos indígenas durante o período pré-colonial. O Período Formativo, cunhado para alocar tais populações em um estágio intermediário de evol...
| Autor: | |
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| Tipo de recurso: | tesis de maestría |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2018 |
| País: | Brasil |
| Institución: | Universidade de São Paulo (USP) |
| Repositorio: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:teses.usp.br:tde-30112018-102517 |
| Acceso en línea: | http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/71/71131/tde-30112018-102517/ |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palabra clave: | Agricultural Determinism Amazonian Archaeology Archaeobotany Arqueobotânica Arqueologia Amazônica Determinismo Agrícola Formative Period Período Formativo |
| Sumario: | Nos últimos dez anos, há um crescente esforço na Arqueologia Amazônica para repensar as mudanças sociais e econômicas acerca dos processos de longa duração dos povos indígenas durante o período pré-colonial. O Período Formativo, cunhado para alocar tais populações em um estágio intermediário de evolução, vem sendo descontruído em prol de perspectivas alternativas sobre as formas de organização e interação que refletem o tecer e o constante re-tecer das redes ameríndias, com base em historicidades cíclicas contra-estatais que inibem a centralização política. Neste contexto, diversos estudos vêm contribuindo para a desvinculação dos traços materiais \"formativos\", tais quais a emergência da vida sedentária, de plantas domesticadas, da produção de cerâmicas utilitárias e um processo progressivo de intensificação da produtividade agrícola. Há uma gradativa mudança do fator ambiental, de gatilho de adaptações humanas para produto das escolhas sociais na formação de florestas antrópicas e criação de uma biodiversidade de plantas úteis. A crítica ao determinismo agrícola e à presença de staple foods se combina com um crescente investimento na compreensão acerca da convivência entre espécies domesticadas e silvestres e da existência de contextos de abandono de espécies domesticadas (como o milho), e nos abrem espaço para repensar o papel do cultivo na Amazônia Antiga. Neste cenário, a presente pesquisa teve como objetivo reunir e produzir dados arquebotânicos que permitissem uma avaliação do modelo de intensificação agrícola e da construção de florestas antropogênicas. O Sudoeste Amazônico, marcado por uma transição entre savanas, cerrados e florestas, é a região em que teria ocorrido a domesticação de importantes cultivares indígenas (como a mandioca e a pupunha), e foi caracterizado como um dos locais de avanço do Período Formativo no passado. Através de uma análise diacrônica dos macro-vestígios vegetais presentes no sambaqui Monte Castelo entre as ocupações dos estratos Sinimbu (cal 7.423 - 6.936 A.P. a cal. 4.987 - 4.566 A.P.) e Bacabal (cal. 4.628 - 3.982 a cal. 803 - 624 A.P.), buscamos avaliar estas mudanças socioeconômicas transcorridas entre o Holoceno Médio e Tardio. Caracterizamos uma assembleia botânica formada por espécies domesticadas, manejadas e silvestres, típicas de diferentes ambientes, que indicam uma prática conjunta e constante de cultivo, manejo e coleta, que pode ter sido modificada no Holoceno Tardio por conta de transformações sociais na bacia do Rio Guaporé. Em suma, acompanhamos a história dos cultivos, junto à história dos processos de mudanças e continuidades nos padrões de mobilidade humana, e de dispersão das espécies identificadas, permeando-nos por um debate crítico acerca dos conceitos de agricultura, domesticação, evolução e complexidade social. |
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