A influência da pandemia pela COVID-19 em pacientes com Transtorno do Espectro Autista

Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é classificado como transtorno do neurodesenvolvimento que envolve dificuldades nas habilidades sociais e comunicativas. O TEA é caracterizado pelos déficits qualitativos na interação social e na comunicação, padrões de comportamento repetitivos e e...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Fraga, Beatriz de Lima Barros
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2022
País:Brasil
Institución:Marinha do Brasil (MB)
Repositorio:Repositório Institucional da Produção Científica da Marinha do Brasil (RI-MB)
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:www.repositorio.mar.mil.br:ripcmb/845862
Acceso en línea:https://www.repositorio.mar.mil.br/handle/ripcmb/845862
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Transtorno do Espectro Autista
COVID-19
Isolamento social
Transtornos do Neurodesenvolvimento
Quarentena
Autism Spectrum Disorder
Quarantine
Social Distancing
Neurodevelopmental Disorders
Medicina
Descripción
Sumario:Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é classificado como transtorno do neurodesenvolvimento que envolve dificuldades nas habilidades sociais e comunicativas. O TEA é caracterizado pelos déficits qualitativos na interação social e na comunicação, padrões de comportamento repetitivos e estereotipados e repertório restrito de interesses e atividades. Habitualmente, famílias de crianças e adolescentes com TEA enfrentam desafios para minimizar o potencial sofrimento causado pelo quadro e sua consequente relação com a sociedade, com o objetivo de promover o desenvolvimento de seus filhos. Como uma das manifestações do transtorno do espectro autista é a resistência a mudanças, as modificações da rotina e a interrupção das atividades impostas pela pandemia de COVID-19 podem ser particularmente desafiadoras. Objetivo: Avaliar a influência do isolamento social causado pela pandemia da COVID19 em pacientes com TEA, atendidos em um serviço especializado. Método: Foi realizado um estudo transversal do tipo observacional e descritivo por meio da aplicação de um formulário de 51 perguntas. Participaram do estudo 45 responsáveis por crianças e adolescentes com TEA, acompanhados na Policlínica Naval de São Pedro da Aldeia (PNSPA), no período de julho a novembro de 2021. Foram abordados aspectos demográficos, sociais, clínicos e comportamentais dos pacientes e familiares. Resultados: A maioria dos pacientes é do sexo masculino (86,7%) com média de idade de 10,4 anos, sendo 57,8% TEA nível 1. Observou-se alterações comportamentais em 88,9% dos pacientes, sendo essas alterações consideradas como negativas por 57% dos responsáveis. As principais alterações foram oscilação de humor (52,5%), agitação (47,5%), ansiedade (47,5%) e aquisição de novas habilidades (25%). Foi necessário o ajuste nas medicações em 51,1% dos pacientes que já usavam medicações no período, a maioria deles por causa de modificações no comportamento. Não houve diferença estatisticamente significativa quando avaliamos as modificações comportamentais por sexo (p-valor 0,471), nível do TEA (p-valor 0,128), idade (p-valor 0,460), número de irmãos (p-valor 0,903), modificações medicamentosas (p-valor 0,280) e isolamento social (p-valor 0,553). Observou-se que a manutenção das terapias e a participação nas atividades escolares foi fator protetor quando analisamos as modificações de comportamento (RP para ambos = 0,86). Conclusão: A presente pesquisa indica que ocorreu impacto da pandemia de COVID19 em pacientes com TEA, pelo elevado percentual de ocorrência de mudanças comportamentais, especialmente aquelas consideradas negativas, independentemente de os pacientes terem permanecido ou não em isolamento social. A análise crítica dos resultados permitiu a releitura das práticas assistenciais, a tomada de decisões por parte dos profissionais de saúde, possibilitando o oferecimento de melhor orientação aos responsáveis. Assim, portanto, o conhecimento produzido por essa pesquisa, realizada durante a pandemia de COVID-19, poderá vir a contribuir para o enfrentamento de situações epidemiológicas que venham a determinar o isolamento social de pacientes com TEA e de seus núcleos familiares.