A apropriação da Ilíada na epopeia virgiliana
Resumo: Desde pelo menos Sérvio e Macróbio (século IV-V), costuma-se ver na estrutura da Eneida de Virgílio uma divisão em duas partes de acordo com o objeto de imitação homérico: a primeira constituiria uma espécie de Odisseia do protagonista Eneias (narrando seus errores, conforme Sérvio); a segun...
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| Formato: | artículo |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2019 |
| País: | Brasil |
| Recursos: | Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) |
| Repositorio: | Repositório da Produção Científica e Intelectual da Unicamp |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:https://www.repositorio.unicamp.br/:1397217 |
| Acesso em linha: | https://hdl.handle.net/20.500.12733/20575 |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palavra-chave: | Virgilio. Eneida Virgilio, 70 A.C.-19 A.C. - Crítica e interpretação Homero - Crítica e interpretação Homero. Ilíada Poesia épica latina Poesia épica grega Epic poetry, Latin Epic poetry, Greek Recepção Virgil - Criticism and interpretation Virgil - Aeineid Homer - Criticism and interpretation Homer - Iliad Dossiê |
| Resumo: | Resumo: Desde pelo menos Sérvio e Macróbio (século IV-V), costuma-se ver na estrutura da Eneida de Virgílio uma divisão em duas partes de acordo com o objeto de imitação homérico: a primeira constituiria uma espécie de Odisseia do protagonista Eneias (narrando seus errores, conforme Sérvio); a segunda, que narra gestas bélicas (de bello), sua Ilíada. Tem-se apontado que essa divisão não é estanque, havendo imitação significativa da Ilíada na primeira parte da Eneida e da Odisseia na segunda. Em 1989, num capítulo de seu Virgil’s Augustan epic, Francis Cairns, em oposição à bipartição tradicionalmente aceita pelos estudiosos, defendia que a Eneida é estruturada como uma Odisseia com momentos iliádicos; mais recentemente, em 2012, em seu Virgil’s Homeric lens, Edan Dekel apresentou uma espécie de versão mais refinada dessa interpretação, mostrando como a Ilíada comparece na Eneida mediada pela Odisseia. Neste artigo, voltaremos a essa questão para ressaltar a importância da Ilíada na epopeia virgiliana. De forma sutil (rítmica, sonora, temática), a Ilíada já ecoa na proposição da Eneida, o que é significativo; a ira de Juno ecoa, como os estudiosos têm mostrado, a de Aquiles; ao final da epopeia, intertextualmente, o leitor é levado a projetar sobre Eneias a sombra de um Aquiles raivoso: esses dois momentos-chave nos fazem refletir sobre a importância da Ilíada na apropriação de Homero por Virgílio e é esse aspecto da imitação virgiliana que destacaremos, como uma espécie de contraponto às análises que veem na Odisseia o modelo maior da Eneida |
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