Entre exuberância e mistério: subjetividades de mulheres ciganas nas interfaces entre educação e gênero

Esta pesquisa teve como proposta pensar a seguinte questão: Como as subjetividades de três mulheres ciganas vêm se constituindo em uma comunidade cigana na cidade de Juiz de Fora - MG? Utilizei aproximações com as perspectivas teórico-metodológicas pósestruturalistas e foucaultianas, além das contri...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Marcondes, Gláucia Siqueira
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2020
País:Brasil
Institución:Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Repositorio:Repositório Institucional da UFJF
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:hermes.cpd.ufjf.br:ufjf/12256
Acceso en línea:https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/12256
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::EDUCACAO
Mulheres ciganas
Subjetividades
Educação
Gênero
Gypsy women
Subjectivities
Education and gender
Descripción
Sumario:Esta pesquisa teve como proposta pensar a seguinte questão: Como as subjetividades de três mulheres ciganas vêm se constituindo em uma comunidade cigana na cidade de Juiz de Fora - MG? Utilizei aproximações com as perspectivas teórico-metodológicas pósestruturalistas e foucaultianas, além das contribuições dos Estudos de Gênero para pensar as experiências e os processos de subjetivação dessas mulheres. Minha atenção voltou-se para suas narrativas, com o intuito de valorizar seus significados e sentidos. Busquei problematizar discursos e relações de saber-poder envolvidos no processo de constituição dessas ciganas, levando em consideração as questões de gênero e sua relação com a educação. Aqui, gênero é compreendido como algo em construção, mostrando que as diferenças percebidas entre homens e mulheres são de caráter social, histórico e cultural. A educação é entendida em seu escopo mais abrangente, como processo de constituição dos sujeitos. Concordo que todo espaço de relação se constitui como um espaço pedagógico, portanto, considero potente problematizar como as mulheres ciganas se constituem em meio aos processos educativos presentes na comunidade cigana. Mesmo que as relações dessas mulheres ciganas sejam perpassadas pelas normas sociais internas da cultura cigana e também sejam afetadas pelas hierarquias de gênero, isso não quer dizer um aprisionamento homogêneo a um dado discurso. Minha pesquisa se propôs a pensar mulheres ciganas para além da dicotomia dominação/subordinação, pois elas também são resistências. Realizei, junto com as três ciganas, quatorze encontros. Neles conversamos, rimos, compartilhamos angústias, alegrias e sonhos. Esses momentos foram enriquecidos pelo trabalho de alfabetização que tive a oportunidade de desenvolver junto com essas mulheres dentro do acampamento cigano. Mais do que a aprendizagem da leitura e da escrita, esses encontros potencializaram momentos de discussão, de reflexão, de respeito às diferenças. Nesse processo, ressignificamos nossas experiências e nos transformamos. Esta pesquisa deu visibilidade para as subjetividades que se constituem de maneiras distintas e singulares. Ao contrário de cristalizar as mulheres ciganas em identidades fixas e estáveis, este trabalho investiu em uma compreensão em que essas identidades são resultados de processos culturais, sociais e históricos e são constituídas a partir de discursos e relações de saber e poder. Diferentemente de outras gerações de mulheres ciganas, as três ciganas são subjetivadas a partir de novos discursos, artefatos e dispositivos pedagógicos. Embora compartilhemos experiências de gênero semelhantes, cada uma de nós vivencia essa experiência ―de ser mulher‖ de um modo específico e singular.