Honra, migração e memória em Matão-PB.

Objetivo deste trabalho é analisar a construção e reprodução da vida de um grupo quilombola em seu território, tendo como foco a maneira pela qual se interpenetram cotidianamente relações tradicionalmente construídas e elementos trazidos ao local pela agenda quilombola. A pesquisa foi realizada no q...

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Detalhes bibliográficos
Autor: SOUZA, Vanessa Emanuelle de.
Formato: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2012
País:Brasil
Recursos:Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFCG
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:dspace.sti.ufcg.edu.br:riufcg/8457
Acesso em linha:https://dspace.sti.ufcg.edu.br/handle/riufcg/8457
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:Quilombo
Honra
Etnicidade
Território
Família
Migração
Memória
Honor
Ethnicity
Territory
Family
Migration
Memory
Descrição
Resumo:Objetivo deste trabalho é analisar a construção e reprodução da vida de um grupo quilombola em seu território, tendo como foco a maneira pela qual se interpenetram cotidianamente relações tradicionalmente construídas e elementos trazidos ao local pela agenda quilombola. A pesquisa foi realizada no quilombo do Matão, situado na cidade de Gurinhém, região Agreste do estado da Paraíba que tem sua história marcada pela busca de sobreviver e garantir a ocupação de seu território. Inicialmente é a descendência de um ancestral comum que marca a legitimidade da ocupação e permanência neste território. Um elemento essencial acessado para contar a história de vida dessas famílias é a migração que foi, e ainda representa, importante fonte de renda para o grupo, também permitiu o acesso e o trabalho na terra dos que permanecem e que abre espaço para pensar relações de trabalho e parentesco e representações sobre o passado e o presente. Diante dos desafios encontrados para a reprodução do grupo e manutenção de seu território, como o processo de pecuarização que diminuiu o acesso das famílias de Matão às terras de trabalho, o preconceito, a falta de escolaridade e emprego, nos debruçamos sobre a vida cotidiana, os padrões de sociabilidade, as relações de parentesco, para compreender como constroem e reproduzem sua vida neste lugar. O olhar sobre o cotidiano desvenda a maneira através da qual o grupo se configura e reproduz sua vida e assegurou, ao longo dos anos, a sua permanência. Elaboramos a análise a partir de dois eixos principais: a honra, através da qual é possível perceber a construção de lugares, posições e discursos dentro da vida e definições de papéis na família e a relação de Matão com a agenda quilombola através do movimento social e os discursos e representações construídos da vida em comunidade. Os padrões tradicionais de honra, moral, sexualidade, parentesco, são atravessados por elementos novos, como reuniões, trabalhos, viagens, necessários à condução das reivindicações quilombolas. A questão quilombola atravessa esse grupo, questionando algumas relações e estabelecendo novas. O discurso da “Comunidade Quilombola”, englobando uma família única, funciona perfeitamente em alguns momentos, mostrando a igualdade de todos diante das reivindicações e das políticas públicas, por outro lado, em tantos outros momentos, a ideia de “famílias”, deixando claras as diferenças, é trazida à tona para agregar ou separar no cotidiano.