Práticas mágicas e o universo religioso indígena: Mairi Belém no século XVIII

Esta Tese de doutoramento objetivou analisar, refletir, problematizar e esmiuçar as práticas mágicas e o universo religioso indígena, que foram entendidos como feitiçaria pelo olhar cristão, aparecendo nos documentos inquisitoriais relativos à cidade de Mairi Belém, durante o século XVIII. Algumas p...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Araújo, Gilmara Cruz de
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-19052025-100500
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-19052025-100500/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Cosmohistória
Cosmohistory
Feitiçaria
Magia Pajé
Magical practices
Mairi Belém
Pajé magic
Práticas mágicas
Sorcery
Descripción
Sumario:Esta Tese de doutoramento objetivou analisar, refletir, problematizar e esmiuçar as práticas mágicas e o universo religioso indígena, que foram entendidos como feitiçaria pelo olhar cristão, aparecendo nos documentos inquisitoriais relativos à cidade de Mairi Belém, durante o século XVIII. Algumas práticas foram levadas à Mesa Inquisitorial por meio de confissões, denunciações e cartas, trazendo à tona diversos casos de operações de magia. Foi sobre esses documentos e atos mágicos que esta Tese se debruçou, oferecendo uma análise mais profunda, reflexiva e um olhar distinto para a formação plural de atitudes ritualísticas. Objetivou-se também analisar a vida e o cotidiano de quem esteve do outro lado da Mesa Inquisitorial, ou seja, dos sujeitos acusados de práticas diabólicas. Os sujeitos dessas histórias são Sabina e Ludovina Ferreira (e seus acompanhantes), que foram alvos de acusações acolhidas pela Inquisição. Temas como feitiçaria, xamanismo, pajelança, Diabo, sabá das bruxas, hibridismo cultural, entre outros, são problematizados e discutidos. Para tal realização, utilizamos o método do paradigma indiciário do historiador italiano Carlo Ginzburg, que visa uma análise minuciosa e detalhista dos documentos e chama a atenção para os indícios negligenciados. Também utilizamos o método comparativo para analisar os estudos de casos, evocando suas analogias e seus contrastes. Referente à teoria, esta pesquisa tomou fôlego a partir do conceito de cosmohistória do historiador mexicano Navarrete Linares, que problematizou a suposta verdade única da monohistória e ofereceu uma nova forma de analisar o universo indígena, propondo uma investigação que reconheça a diversidade de diferentes sujeitos históricos que produzem seus discursos particulares e suas próprias historicidades, baseadas em sua forma de ver o mundo e em suas negociações históricas para se integrar e sobreviver em um mundo marcado pelo contexto colonial