Correlação espaço-temporal da deformação e metamorfismo em um orógeno transpressivo: implicações tectônicas para a evolução da Faixa Ribeira

Desenvolvido na magem leste do craton do São Francisco, o Orógeno Ribeira caracteriza-se por um cinturão transpressivo destral, que afetou em regime dúctil extensas faixas de embasamento paleoproterozóico, bacias neproterozóicas e associações magmáticas tonianas. De forma a compreender os mecanismos...

Full description

Bibliographic Details
Author: Hoffmann, Itiana Borges
Format: doctoral thesis
Status:Published version
Publication Date:2025
Country:Brasil
Institution:Universidade de São Paulo (USP)
Repository:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-31072025-074005
Online Access:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/44/44137/tde-31072025-074005/
Access Level:Open access
Keyword:Faixa Ribeira
Geotectônica
Geotectonics
Orogênese
Orogenesis
Ribeira Belt
Transpressão
Transpression
Description
Summary:Desenvolvido na magem leste do craton do São Francisco, o Orógeno Ribeira caracteriza-se por um cinturão transpressivo destral, que afetou em regime dúctil extensas faixas de embasamento paleoproterozóico, bacias neproterozóicas e associações magmáticas tonianas. De forma a compreender os mecanismos responsáveis pelas variações metamórfico-estruturais no segmento oeste da Faixa Ribeira foram conduzidos estudos de geocronologia U-Pb em zircão e de isótopos de Lu-Hf, que foram integrados com aerogeofísica (magnetometria e gamaespectrometria) e análise estrutural ao longo de dois transectos, localizados na região norte e central da referida Faixa. O perfil central corresponde ao flanco noroeste de uma estrutura em flor positiva de grande escala, onde foram definidos Domínios Estruturais com predomínio de cisalhamento simples (Domínios Estruturais I e III) e com predomínio de cisalhamento puro (Domínio Estrutural II). De forma a compreender a natureza da justaposição entre granulitos, paragnaisses e ortognaisses, os estudos neste perfil foram complementados com modelagem de pseudoseção, geotermobarometria clássica, termometria em grafita (GMRT) e de barometria de quartzo em granada (QuiG). No flanco noroeste da estrutura em flor positiva, o espessamento crustal ocorrido entre 642-634 Ma afetou unidades de embasamento com idade de cristalização sideriana (2.4-2.3 Ga) e assinatura juvenil (Hf= +2.7 a +5.1) e de idade riaciana (2.2-2.0 Ga), com assinatura dominantemente crustal (Hf= +7 a -46). No espessamento crustal, as condições de metamorfismo atingiram 900-950 C° e de 9-11Kbar no Domínio Estrutural II. Esse período foi sucedido pela formação de extensas zonas de cisalhamento entre 620-617 Ma, em condições de 670-710 °C e 6.6-7.8 Kbar no Domínio Estrutural I, próximo à Zona de Cisalhamento Além Paraíba, de 5.4-5.5 Kbar e de 670-705 °C no Domínio Estrutural II, e de 4,9-6.1 Kbar e 601-651 °C no Domínio Estrutural III. A propagação da deformação a partir das zonas de cisalhamento oblíquas aliada à partição da deformação resultou na formação de dobramento e zonas de cisalhamento locais no Domínio Estrutural II. O fluxo vertical, induzido pelo componente de cisalhamento puro provocou a ascensão de granulitos iniciada em 614 Ma, que foram reequilibrados parcialmente em condições de facies anfibolito a xisto verde inferior na presença de melt/fluidos com o consumo da granada durante a exumação tectônica em 586 ±1.7 Ma, idade correlata às zonas de cisalhamento mais jovens no segmento sudeste. O perfil norte é caracterizado por uma intercalação em escala de mapa de granulitos máficos e paragranulitos que foram intensamente retrometamorfisados em condições de fácies anfibolito superior. Neste segmento, o espessamento máximo do orógeno é sugerido por zircões do tipo bola de futebol no período de 631 Ma. A atividade da principal zona de cisalhamento da área de estudo norte, com cinemática sinistral, ocorreu entre 605 a 591 Ma. A relação temporal identificada entre a principal zona de cisalhamento e as estruturas associadas à cavalgamentos, dobramentos e zonas de cisalhamento locais no intervalo entre 591-586 Ma, permite inferir que os processos foram gerados pela partição da deformação em estruturas herdadas. Análises de U-Pb em um Gr-Sill- Gt-Bt gnaisse milonítico justaposto aos granulitos máficos através de uma zona de cisalhamento oblíqua forneceram populações de zircão entre 2.4-2.3 Ga e entre 2.1 a 1.9 Ga, que pode ser parcialmente comparável ao registro sedimentar do Complexo Paraíba do Sul. Os resultados reforçam o papel da deformação transpressiva na justaposição de distintos níveis crustais, durante a construção da arquitetura do orógeno brasiliano.