"O que que nói vai fazê cuisso?": Um estudo sobre alternância pronominal e significados sociais em Muzambinho-MG e em Cabo Verde-MG
Com base na Teoria de Variação e Mudança Linguísticas, este trabalho estuda as falas de Muzambinho-MG e Cabo Verde-MG, ambas conhecidas por suas características rurais. O fenômeno linguístico analisado é a alternância entre as formas pronominais que representam a 1ª pessoa do plural na posição de su...
| Autor: | |
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| Tipo de recurso: | tesis de maestría |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2022 |
| País: | Brasil |
| Institución: | Universidade Estadual Paulista (UNESP) |
| Repositorio: | Repositório Institucional da UNESP |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:repositorio.unesp.br:11449/217698 |
| Acceso en línea: | http://hdl.handle.net/11449/217698 |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palabra clave: | Pronomes de primeira pessoa do plural Significados sociais Variação e mudança linguísticas First person plural pronouns Social meanings Variation and linguistic change |
| Sumario: | Com base na Teoria de Variação e Mudança Linguísticas, este trabalho estuda as falas de Muzambinho-MG e Cabo Verde-MG, ambas conhecidas por suas características rurais. O fenômeno linguístico analisado é a alternância entre as formas pronominais que representam a 1ª pessoa do plural na posição de sujeito. Selecionamos esse objeto de estudo pelo fato de que, além da variação entre nós e a gente, percebemos também que há uma variação fonológica, visto que os habitantes dessa região fazem o uso das variantes “nóis” e “nói”. Os objetivos gerais desta pesquisa são estabelecer localmente os significados sociais das formas em variação, e verificar se há um possível processo de mudança linguística em tais usos. Para isso, analisamos, comparativamente, a fala de informantes com faixas etárias distintas e não contínuas, e identificamos quais são os fatores que explicam os usos das formas variantes: linguísticos e extralinguísticos. Foi construída uma amostra de entrevistas sociolinguísticas com 24 informantes, sendo 12 de cada município, de diferentes faixas etárias, divididos entre homens e mulheres, com níveis de escolaridade distintos. Para acessar os significados sociais, houve a aplicação de um questionário de reações subjetivas. A partir disso, verificou-se uma oposição entre nói e a gente, uma vez que um mesmo falante, quando utiliza a variante nói, é avaliado como pouco escolarizado, caipira e morador de bairros rurais, e quando utiliza a gente, é considerado escolarizado, de classe social alta e morador de condomínios fechados. Em relação às análises de produção linguística, percebeu-se que as duas comunidades se diferenciam na distribuição de uso dos pronomes: em Cabo Verde, há um equilíbrio entre as variantes, havendo 51% de nós e 49% de a gente; já em Muzambinho, há um maior uso de a gente (58%). Além disso, ao incluir as variantes fonológicas de nós na análise, observamos que, em ambas as cidades, a variante nós é pouco utilizada, estando restrita ao falar de pessoas com ensino superior das faixas etárias 2 (35-50 anos) e 3 (mais de 60 anos). Quanto à variante a gente, em Cabo Verde, ela é mais usada: por mulheres e pelas pessoas das faixas etárias 2 (35-50 anos) e 3 (mais de 60 anos) e, em Muzambinho: por pessoas graduadas; e, também, por indivíduos das faixas 2 (35-50 anos) e 3 (mais de 60 anos). Por outro lado, a variante nói é mais utilizada, em Cabo Verde, por homens e por jovens (18-25 anos) e, em Muzambinho, por pessoas sem ensino superior e por jovens (18-25 anos). |
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