Entre memórias e silenciamentos: marcas da reeducação moçambicana na narrativa romanesca de Khosa.

A presente Tese se debruça sobre os estudos da literatura moçambicana como expressão de cultura africana em Língua Portuguesa, propondo uma investigação acerca do gênero romanesco, tardio enquanto fenômeno literário revelador da moçambicanidade. Nesse sentido, o cultivo do romance conquista espaço n...

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Detalles Bibliográficos
Autor: LIMA, José Augusto Soares.
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Institución:Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFCG
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:dspace.sti.ufcg.edu.br:riufcg/44324
Acceso en línea:https://dspace.sti.ufcg.edu.br/handle/riufcg/44324
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Ungulani Ba Ka Khosa
Cânone literário
Campos de reeducação
Literatura moçambicana
Romance moçambicano
Literary canon
Re-education camps
Mozambican literature
Mozambican novel
Linguagem e Ensino
Descripción
Sumario:A presente Tese se debruça sobre os estudos da literatura moçambicana como expressão de cultura africana em Língua Portuguesa, propondo uma investigação acerca do gênero romanesco, tardio enquanto fenômeno literário revelador da moçambicanidade. Nesse sentido, o cultivo do romance conquista espaço na literatura moçambicana no pós-independência, ganhando visibilidade entre as novas gerações como artefato literário no questionamento dos desmandos coloniais ainda enraizados na sociedade. Frente a esse panorama de aspectos, a questão-norteadora da pesquisa foi: Como o trauma da reeducação moçambicana se revela na ficção narrativa romanesca khoseana? Desse modo, enquanto corpus, foi selcionado o romance Entre as memórias silenciadas (2013), do moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa, sendo cotejados outros títulos do autor como Ualalapi (1987), Orgia dos loucos (2016) e Choriro (2015). Como resposta ao questionamento inicial, foram traçados os seguintes objetivos: Geral - Investigar como se constitui as significações da narração do trauma da reeducação moçambicana na restituição das memórias subjetivas representadas no romance Entre as memórias silenciadas (2013), de Khosa; e Específicos – 1) Caracterizar as produções das narrativas literárias na constituição do cânone moçambicano, associando-as às teorias e críticas anticoloniais do sul global; 2) Analisar a obra Entre as memórias silenciadas (2013), de Khosa, fazendo um levantamento de aspectos estéticos e genológicos que a singularizam nas produções literárias romanescas moçambicanas; 3) Discutir a reeducação moçambicana como ponto de tensão na história oficial da nação em processo de descolonização, refletindo sobre a restituição da memória como aspecto da narrativa literária romanesca na ressignificação do trauma testemunhado. Para tanto, esse estudo defende a tese de que, ao narrar o trauma da reeducação em Moçambique, o sujeito reconstitui, pela memória, a experiência traumática vivida na tentativa de ressignificar a própria existência e suas relações com o estado-nação a que pertence, dando voz às versões extraoficiais da história na urdidura romanesca. Ademais, foram convocados estudos teóricos alinhados às perspectivas anticoloniais, a exemplo de Noa (2015; 2018), Hall (2014), Hamilton (1998), Bhabha (2014), Bonnici (2009), Santos (2022a; 2022b), estudos acerca das narrativas moçambicanas e da fortuna crítica do autor em estudo Mendonça (2012), Moreira (2005), Teixeira (2017), Dutra (2010), além dos estudos sobre cânone Bloom (1995), Martinho (2001), Pinheiro (2019), das teorias literárias e dos estudos críticos acerca do gênero romanesco e de sua expressão moçambicana Aguiar e Silva (2011), Robert (2007), Leite et al (2022), Franzin (2021). Por fim, evidencia-se que na linguagem romanesca a plasticidade na propositura de questionamentos e de diálogos com a História oficial, representando os traumas que assolaram a sociedade no pós-independência, numa restituição da memória de forma crítica e posicionada.