Interações modal-temporais no português brasileiro

Esta pesquisa investiga o comportamento temporal de sentenças com os verbos modais poder, dever e ter que no português brasileiro (PB). Tomamos como ponto de partida as noções de perspectiva e orientação temporal, de Condoravdi (2002), que podem ser definidas, grosso modo, como o momento de avaliaçã...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Mendes, Jéssica Viana
Tipo de documento: dissertação
Estado:Versão publicada
Data de publicação:2019
País:Brasil
Recursos:Universidade de São Paulo (USP)
Repositório:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:português
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-21052019-125303
Acesso em linha:http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8139/tde-21052019-125303/
Access Level:Acceso aberto
Palavra-chave:Aspect
Aspecto
Modalidade
Modality
Orientação temporal
Perspectiva temporal
Tempo
Temporal orientation
Temporal perspective
Tense
Descrição
Resumo:Esta pesquisa investiga o comportamento temporal de sentenças com os verbos modais poder, dever e ter que no português brasileiro (PB). Tomamos como ponto de partida as noções de perspectiva e orientação temporal, de Condoravdi (2002), que podem ser definidas, grosso modo, como o momento de avaliação modal de uma sentença e o momento de realização da proposição sob o escopo do modal. Os dois objetivos principais deste trabalho são (i) identificar as fontes da perspectiva e orientação temporal de sentenças modais e (ii) identificar e explorar a natureza de potenciais restrições à interpretação temporal dessas sentenças. Em relação à fixação da perspectiva temporal, os dados do PB corroboram a proposta amplamente aceita na literatura de que modais epistêmicos são interpretados acima de TP e de AspP, ao passo que modais raiz são interpretados abaixo dessas duas projeções funcionais. Devido a essa diferença de altura, modais epistêmicos sempre ancoram sua perspectiva temporal no momento de fala, enquanto modais raiz fixam sua perspectiva a partir do Tempo e aspecto da oração. Quanto à orientação temporal, mostramos que as propriedades de cada classe de modais também podem ser facilmente derivadas dessa diferença sintática. Modais epistêmicos podem ter orientações verdadeiramente passadas, que surgem quando o núcleo temporal sob seu escopo é pretérito. Modais raiz, por outro lado, utilizam apenas operadores aspectuais alojados em seus prejacentes para definir sua orientação temporal, o que explica por que esses modais só podem ter orientações presentes, futuras ou perfeitas. Com respeito às restrições à interpretação temporal de sentenças modais, propomos que elas são muito mais circunscritas do que sugerem trabalhos anteriores (Werner (2006), Klecha (2016), entre outros). Assumimos que tendência de modais raiz terem orientação futura é de natureza extralinguística: as noções normalmente transmitidas por esses modais são naturalmente orientadas ao futuro, mas em contextos adequados, orientações presentes e perfeitas podem ser obtidas. A única restrição realmente atestada é a impossibilidade de modais epistêmicos universais serem orientados ao futuro. Seguindo Giannakidou e Mari (2018), explicamos essa restrição como sendo um efeito de bloqueio causado pela competição com o auxiliar do futuro perifrástico ir, que seria a forma especializada de expressão de necessidade epistêmica futura.