Porque fomos sequestradas dos pés até o último fio de cabelo: práticas pedagógicas no movimento de mulheres negras e a ressignificação do corpo negro.

O presente trabalho busca explorar a potência de práticas pedagógicas utilizadas pelo movimento de mulheres negras em Pernambuco. Para tanto, travamos uma discussão centrada na violência racista e na ideologia de branquitude, discutindo tanto as suas bases elementares quanto as de difusão na cultura...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: GODOI, Ana Cecília Rodrigues dos Santos.
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2016
País:Brasil
Institución:Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFCG
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:dspace.sti.ufcg.edu.br:riufcg/42662
Acceso en línea:https://dspace.sti.ufcg.edu.br/handle/riufcg/42662
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Mulheres negras
Movimento de mulheres negras em Pernambuco
Práticas pedagógicas - mulheres negras
Anti-racismo
Corpo negro
Sexismo
Violência racista
Colonialidade
Etnografia
Pesquisa-ação
Mulheres Negras Cabelaço - PE
Feminismo negro
Feminismo interseccional
Comunidade Quilombola do Castainho - Garanhuns - PE
Garanhuns - PE - Comunidade Quilombola do Castainho
Mulheres quilombolas
Dissertação - Universidade Federal Rural de Pernambuco
Universidade Federal Rural de Pernambuco - Dissertação
Dissertação - Fundação Joaquim Nabuco
Fundação Joaquim Nabuco - Dissertação
Black Women
Black Women's Movement in Pernambuco
Pedagogical Practices - Black Women
Anti-Racism
Black Body
Sexism
Racist Violence
Coloniality
Ethnography
Action Research
Cabelaço Black Women - PE
Black Feminism
Intersectional Feminism
Castainho Quilombola Community - Garanhuns - PE
Garanhuns - PE - Castainho Quilombola Community
Quilombola Women
Dissertation - Federal Rural University of Pernambuco
Federal Rural University of Pernambuco - Dissertation
Dissertation - Joaquim Nabuco Foundation
Joaquim Nabuco Foundation - Dissertation
Educação.
Descripción
Sumario:O presente trabalho busca explorar a potência de práticas pedagógicas utilizadas pelo movimento de mulheres negras em Pernambuco. Para tanto, travamos uma discussão centrada na violência racista e na ideologia de branquitude, discutindo tanto as suas bases elementares quanto as de difusão na cultura brasileira 3 embasada pela pesquisa pioneira de Neuza Souza Santos. A elaboração da violência como ideologia nos aparece através de contornos que impõem um Ideal de Ego às pessoas negras afetando sua psiqué, bem como - e não menos - o seu status social, designado a um lugar de subalternidade em dimensões subjetivas e objetivas. Para análise de tal contexto e sua complexidade, olhamos para o discurso da colonialidade que reverbera nas estruturas atuais continuando a noção do corpo negro como destituído de humanidade plena. O fenômeno de naturalização de aspectos sócio-culturais e o seu reverso, a formulação sócio-cultural de aspectos naturais proliferam esta noção de que o corpo negro deve ocupar o lugar do serviço, do açoite e da hiperssexualização. Sendo assim, coube nesta pesquisa abordar o corpo negro em suas nuances naturais e simbólicas e sua interface com a história brasileira e sua relação e forma de conceber este corpo. Dentro dessa esfera natural e simbólica, com base nos princípios da Pesquisa-Ação e da Etnografia, adentramos no universo do coletivo auto-organizado de mulheres negras Cabelaço-PE, e em sua agenda do ano de 2015; elaboramos a partir de suas ações um inventário sobre práticas pedagógicas para a desconstrução do racismo e do sexismo vigentes na sociedade brasileira. Valemo-nos do feminismo interseccional, cunhado pelas intelectuais negras afro-americanas, como epistemologia para compreender a estratificação social sustentada por processos de racialização e objetificação do corpo da mulher negra. Os usos e sentidos dados ao cabelo aparecem como foco central para análise, reunindo referências de intelectuais negras, tais como Bell Hooks, Alice Walker, Kathleen Cleaver. O corpo como unidade revolucionária em detrimento da realidade conservada pelo racismo e que tem origem na transmigração de corpos negros da África para o Brasil, conta com a base essencial dos pensamentos e pesquisa da historiadora Beatriz Nascimento, na qual a mesma elabora sobre o Orí (cabeça, núcleo) e a simbologia e reverberação histórica da iniciação e progressiva adaptação e construção histórica do povo negro em terras brasileiras. São os quilombos velhos e novos em território geográfico e em corpo físico, transbordando a partir da experiência do corpo negro, que ao estar submetido às severas investidas do racismo, vai resistindo e moldando a realidade de acordo com sua verdade e cosmovisão inevitavelmente correlata às experiências trazidas da África para cá. Abordamos as vivências do coletivo Cabelaço-PE, aonde foram trabalhados princípios de ancestralidade negra (o uso de turbantes), da re-contação de histórias com o protagonismo de mulheres negras (as bonecas Abayomis e a cultura transatlântica) e de ressignificação do corpo negro (auto-reflexão como metodologia de formação feminista).