Vazio existencial contemporâneo: diálogo epistemológico entre logos e mythos na psicologia

O vazio existencial é uma experiência muito frequente no zeitgeist contemporâneo. Tal experiência tem sido constantemente associada à situação vivencial do homem pós-moderno ocidental, que, mergulhado na filosofia do dataísmo e do pragmatismo, e distanciado de seus mythos, tem experimentado sentimen...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Alencar, Kenia Cristiana de Lima
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2024
País:Brasil
Institución:Universidade Católica de Brasília (UCB)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UCB
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:bdtd.ucb.br:tede/3461
Acceso en línea:https://bdtd.ucb.br:8443/jspui/handle/tede/3461
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Vazio existencial
Sentido da vida
Mythos
Logos
Epistemologia
Psicologia
Existential vacuum
Meaning of life
Epistemology
Psychology
CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA
Descripción
Sumario:O vazio existencial é uma experiência muito frequente no zeitgeist contemporâneo. Tal experiência tem sido constantemente associada à situação vivencial do homem pós-moderno ocidental, que, mergulhado na filosofia do dataísmo e do pragmatismo, e distanciado de seus mythos, tem experimentado sentimentos de desajuste à vida. O objetivo da pesquisa, de cunho teórico, aqui descrita foi o de compreender a relação entre sofrimento psíquico contemporâneo e a crise de sentido existencial e suas possíveis implicações epistemológicas, em termos de um possível diálogo entre logos e mythos na psicologia. A dissertação é apresentada sob a forma de cinco artigos, precedidos por uma introdução e seguidos de uma articulação final, a título de conclusão. Os artigos correspondem, sucessivamente, às etapas gradativas e complementares da pesquisa, conforme se segue: a e b) revisão sistemática de literatura de artigos, em psicologia, sobre o sentido da vida e o vazio existencial, realizada em duas fases: uma meta-análise de cunho mais genérico, e outra mais específica e aprofundada, voltada, para os estudos qualitativos e teóricos, ambas cobrindo o período de 2000 a 2023; c) uma revisão integrativa dos estudos sobre o sentido da vida e o vazio existencial, tendo como parâmetro os artigos de abordagens de matriz fenomenológica, existencial e humanista encontrados na segunda etapa da referida revisão sistemática; d) análise teórico-epistemológica de duas abordagens em psicologia que qualificam o Mythos e seu papel na clínica psicológica - a Psicologia Analítica, de Jung, e o Humanismo Existencial de Rollo May - e que se deu a partir da escolha de dois casos/narrativas - Miss Miller e Déborah Blau - encontrado(as) nas obras dos referidos aurores; e) análise teórico-conceitual da filosofia do neokantiano Ernst Cassirer, qualificando o myhtos como linguagem científica, desvelando afinidades com a abordagem fenomenológica em psicologia. Como desfecho, aprofunda-se uma análise epistemológica, mediante tessitura do conteúdo levantado, apresentando as implicações do diálogo entre Logos e Mythos para e elaboração do conhecimento em psicologia na contemporaneidade. Como pano de fundo para a referida reflexão, adota-se a fenomenologia de Edmund Husserl, que se solidariza com a epistemologia cassireriana. Os principais resultados alcançados em cada etapa e no conjunto do estudo aqui desenvolvido foram: a) prevalência do impulso nomotético e quantificador na pesquisa psicológica contemporânea sobre questões existenciais; b) dentre os estudos qualitativos e/ou de cunho teóricos, predomínio daqueles embasados na logoterapia, trazendo a dimensão do sentido e da existência para o set terapêutico; c) ênfase no constructo do sentido da vida, como core da saúde mental; d) heterogeneidade na definição do constructo do vazio existencial; f) diversidade de recursos teóricos (e.g diálogo socrático) e empíricos (e.g grupo de apoio) no manejo do vazio existencial e sentido da vida; g) relevância da antropologia filosófica para compreensão dos fundamentos epistemológicos dos estudos desenvolvidos; h) importância da integração do mythos na psicologia como forma de qualificação da experiência subjetiva, de acesso às dores da alma, como meio de significação e como necessidade existencial; i) necessidade da qualificação do mythos - enquanto forma simbólica, fundada na sensibilidade e expressividade, de caráter tautegórico para além de alegórico – para elaboração do conhecimento em psicologia e fundamentação da prática clínica em saúde mental.