Centenário de Eça de Queirós

Não estou melhor. Ao contrário. Ramalho e Prado partiram hoje para a sua viagem até à Itália. Fiquei em plena solidão, - escrevia, desanimado e triste, de Glion-sur-Montreux, o nosso Eça de Queirós, em carta dirigida a sua mulher, D. Emília de Resende, poucos dias antes de morrer. Ainda seguiu para...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Gomes da Costa, A.
Tipo de recurso: artículo
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2001
País:Brasil
Institución:Real Gabinete Português de Leitura (RGPL)
Repositorio:Convergência Lusíada (Online)
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:ojs.convergencia.emnuvens.com.br:article/802
Acceso en línea:https://www.convergencialusiada.com.br/rcl/article/view/802
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Eça de Queiroz
Descripción
Sumario:Não estou melhor. Ao contrário. Ramalho e Prado partiram hoje para a sua viagem até à Itália. Fiquei em plena solidão, - escrevia, desanimado e triste, de Glion-sur-Montreux, o nosso Eça de Queirós, em carta dirigida a sua mulher, D. Emília de Resende, poucos dias antes de morrer. Ainda seguiu para Lucerna, em busca da cura entre as montanhas. Mas já não se livraria da doença que implacavelmente o perseguia: a Suíça foi urna failure - e, por isso, regressava a Paris em 11 de agosto. Sentia-se exausto. Chegava ao fim. Talvez naqueles dias, em que pressentia a proximidade da morte, tivesse perto de si, invisíveis mas solidários com o seu sofrimento, alguns personagens de sua criação: o Afonso e o Carlos da Maia, a Amélia e a Luiza, o Primo Basílio e o Conselheiro Acácio, o Dâmaso Salcede e o Padre Amaro, o João da Ega e o Gonçalo Mendes Ramires, a Joaneira e a tia Patrocínio. E pairando sobre todos, o Carlos Fradique Mendes, que para muitos seria a idealização da sua própria vida, como observou Luiz Viana Filho.