Medo, Direito Penal e Controle Social

Uma difusa e constante sensação de medo pode ser considerada enquanto principal característica da sociedade globalizada. Como conseqüência inafastável deste forte sentimento de insegurança, tem-se o aumento da preocupação com as novas formas de criminalidade que se apresentam nesta realidade, notad...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Wermuth, Maiquel
Tipo de recurso: artículo
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2011
País:Brasil
Institución:Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
Repositorio:Revista da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Uberlândia (Online)
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:ojs.www.seer.ufu.br:article/18376
Acceso en línea:https://seer.ufu.br/index.php/revistafadir/article/view/18376
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Direito Penal
Controle social
Medo
Simbolismo
Punitivismo
Criminal Law
social control
fear
symbolism
punitivism
Descripción
Sumario:Uma difusa e constante sensação de medo pode ser considerada enquanto principal característica da sociedade globalizada. Como conseqüência inafastável deste forte sentimento de insegurança, tem-se o aumento da preocupação com as novas formas de criminalidade que se apresentam nesta realidade, notadamente as relacionadas às organizações criminosas e ao terrorismo, que fazem com que o Direito Penal experimente um processo de expansão, visto que é eleito pelo legislador como instrumento privilegiado para responder eficazmente aos anseios por segurança da população. Com isso, o medo é inserido no Direito Penal, ou seja, no sentido de dar a uma população cada vez mais atemorizada diante do medo generalizado da violência e das inseguranças da sociedade líquida pós-moderna, uma sensação de "tranqüilidade", restabelecendo a confiança no papel das instituições e na capacidade do Estado em combatê-los por meio do Direito Penal, ainda que permeado por um caráter meramente simbólico. No entanto, a inserção do medo no do Direito Penal redunda, em especial no que diz respeito aos países de modernidade tardia como o Brasil, no medo do Direito Penal. Isso decorre do fato de que, aliado ao simbolismo penal, o processo de expansão punitiva também abarca uma dimensão extremamente punitivista voltada à persecução dos "medos tradicionais" da dimensão "não tecnológica" da sociedade de risco. Com efeito, por meio da utilização de equiparações conceituais equivocadas bem como de estereótipos construídos pela intervenção principalmente dos meios de comunicação de massa, passa-se a dar maior ênfase à criminalidade "tradicional", pugnando-se pelo recrudescimento punitivo e pela conseqüente flexibilização de garantias penais e processuais penais.