Maternidade negra em Um defeito de cor: história, corpo e nacionalismo como questões literárias
Esta tese realiza uma análise do romance Um defeito de cor (2006), de Ana Maria Gonçalves, sublinhando os aspectos formais do texto e indicando como eles acionam problematizações urgentes para a crítica literária produzida no Brasil. Os procedimentos estéticos com que a representação em primeira pes...
| Author: | |
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| Format: | doctoral thesis |
| Status: | Published version |
| Publication Date: | 2017 |
| Country: | Brasil |
| Institution: | Universidade de São Paulo (USP) |
| Repository: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| Language: | Portuguese |
| OAI Identifier: | oai:teses.usp.br:tde-28032018-104918 |
| Online Access: | http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8151/tde-28032018-104918/ |
| Access Level: | Open access |
| Keyword: | Ana Maria Gonçalves Black body Black maternity Corpo negro Literatura e História Literature and history Maternidade negra Um defeito de cor |
| Summary: | Esta tese realiza uma análise do romance Um defeito de cor (2006), de Ana Maria Gonçalves, sublinhando os aspectos formais do texto e indicando como eles acionam problematizações urgentes para a crítica literária produzida no Brasil. Os procedimentos estéticos com que a representação em primeira pessoa é realizada na obra são concebidos como chave para vincular a literatura às narrativas historiográficas, sobretudo aquelas produzidas pela História Social da Escravidão, dando a ver como a obra de Gonçalves se vale da encruzilhada epistêmica entre ficção e realidade. Propõe-se, assim, que a carta configurada na obra, por meio da qual se constrói a enunciação de uma mãe africana que relata sua trajetória de vida, e nela as constrições ao exercício da maternidade ao longo do século XIX no Brasil e na África, performatiza uma corporalidade negra, convocando a crítica contemporânea a realizar o desrecalque do corpo negro de sua discursividade. Como desdobramento dessa proposição, o trabalho contrapõe a narradora Kehinde, elaborada a partir de um foco narrativo complexo, à figura estereotipada da mãe preta, presente de reiteradas maneiras no cânone literário nacional. Visibilizam-se com essa estratégia os mecanismos simbólicos de interdição do reconhecimento da ascendência africana no/do Brasil pelo discurso nacionalista, ao mesmo tempo em que se reflete sobre as possibilidades de encenação e disrupção desse construto ideológico pelo romance de Gonçalves. |
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