Perfil socioeconômico e clínico das doenças cerebrovasculares isquêmicas agudas - análise do Registro de Acidente Vascular Cerebral de Ribeirão Preto (REAVER)
INTRODUÇÃO: As doenças cerebrovasculares são a segunda causa de morte no mundo e no Brasil, sendo que os tratamentos disponíveis atualmente permitem uma janela estreita de 4,5 horas para a abordagem do acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) e ataque isquêmico transitório (AIT). Inúmeros fatores...
| Autor: | |
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| Tipo de recurso: | tesis de maestría |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2017 |
| País: | Brasil |
| Institución: | Universidade de São Paulo (USP) |
| Repositorio: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:teses.usp.br:tde-27032025-102646 |
| Acceso en línea: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17140/tde-27032025-102646/ |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palabra clave: | Acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) Ataque isquêmico transitório (AIT) Epidemiologia Epidemiology Estado socioeconômico Ischemic stroke (IS) Socioeconomic status (SES) Transient ischemic attack (TIA) |
| Sumario: | INTRODUÇÃO: As doenças cerebrovasculares são a segunda causa de morte no mundo e no Brasil, sendo que os tratamentos disponíveis atualmente permitem uma janela estreita de 4,5 horas para a abordagem do acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) e ataque isquêmico transitório (AIT). Inúmeros fatores de risco como sexo, idade, e comorbidades são descritos associados ao AVC, no entanto há escassez de dados sobre o impacto do estado socioeconômico individual e coletivo na doença. Ambas essas características, que impactam no atraso a admissão hospitalar, no desfecho funcional e nas chances de óbito, necessitam de análises para ampliar e aperfeiçoar as políticas de assistência ao AVC. A Unidade de Emergência (UE) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFRMP-USP) é referência para 26 cidades no tratamento ao AVC e concentra 38% dessas internações. Sendo assim, para que o atendimento na região seja organizado e os dados analisados, registros clínicos são necessários seguindo padrões que homogeneízem as interpretações e facilitem a aplicabilidade dos achados. Esse estudo objetiva analisar as características clínicas e socioeconômicas dos pacientes admitidos na UE com suspeita de AVCI ou AIT. MÉTODOS: Avaliaram-se os pacientes com AVCI ou AIT diagnosticados entre janeiro de 2014 e janeiro de 2016, incluídos no REAVER. Foram obtidos dados préadmissionais, admissionais e em reavaliação pós 3 meses. Aplicou-se análise descritiva, univariada e multivariada para identificação dos fatores preditores independentes do tempo entre início dos sintomas e admissão hospitalar, boa capacidade funcional em 3 meses (considerada escala modificada de Rankin - mRS < 2), e óbito em 3 meses, bem como análise por sistema de informação geográfica. RESULTADOS: 494 pacientes, 449 AVCI e 45 AIT foram analisados. Mulheres compreenderam 43,52% e idade média foi 66,43 anos, com mediana de 4 anos de estudo (29,6% ≥ 8 anos). 32% exerciam atividade economicamente ativa, com R$ 375,00 mediana de renda per capita no domicílio - correspondente aos estratos socioeconômicos C, D, e E em 95,9% dos casos, sendo 50,6% socialmente vulneráveis - vivem em absoluta pobreza. 58,3% procedentes de Ribeirão Preto. Foram admitidos 46,2% em < 4,5 horas do início dos sintomas, dos quais 19,4% receberam alteplase endovenosa (rtPA EV) sob uma mediana do NIHSS de admissão de 8 pontos. A mortalidade dos AVCI foi de 15,8% intrahospitalar e 25,9% em 3 meses. Somente 35,1% recebeu alguma terapia de reabilitação, sendo 21,15% dos casos de AVCI com bom desfecho funcional - mRS < 2. Procedência de Ribeirão Preto (p<0,001), mRS prévio < 3 (p=0,021), história de arritmia cardíaca (p=0,012) e gravidade dos défices (p=0,019) foram fatores preditores de admissão hospitalar em < 4,5 horas do início dos sintomas. No subgrupo procedente Ribeirão Preto, história de diabetes mellitus (p=0,019) se associou ao atraso no tempo de admissão. No subgrupo procedente de demais cidades da região, renda per capita no domicílio (p=0,043) e PAM de admissão (p=0,027) foram preditores de menor tempo sintomas-admissão. Exercício de atividade economicamente ativa prévio (p=0,004) e trombólise endovenosa com rtPA (p=0,025) foram fatores preditores independentes de bom desfecho funcional - mRS < 2, após 3 meses; enquanto que história de dislipidemia (p=0,015) e gravidade dos défices (p<0,001) de pior desfecho. Idade (p=0,005), insuficiência cardíaca (p=0,018), gravidade dos défices (p<0,001), menor escolaridade - < 8 anos de estudo (p=0,043), e dependência funcional prévia - mRS < 3 (p<0,001), foram fatores preditores independentes de óbito em 3 meses. CONCLUSÕES: Características socioeconômicas além das comorbidades estão associadas a tempo de admissão e comprometimento funcional em 3 meses, incluindo óbito. São necessários estudos para ampliar uma análise populacional e permitir modificar a história da doença. |
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