Mulher, memória e ditadura no Brasil : os lugares de escassez em outros cantos, de Maria Valéria Rezende

Resumo: O presente artigo pretende analisar a construção da memória em Outros cantos (2016), de Maria Valéria Rezende, publicado após a conclusão dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e na esteira de rememoração do cinquentenário do golpe militar. A obra de teor testemunhal, onde as fr...

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Detalles Bibliográficos
Autor: Martins, Caroline Peres, 1996-
Tipo de recurso: artículo
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2019
País:Brasil
Institución:Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
Repositorio:Repositório da Produção Científica e Intelectual da Unicamp
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:https://www.repositorio.unicamp.br/:1403185
Acceso en línea:https://hdl.handle.net/20.500.12733/21782
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Rezende, M. V. (Maria Valéria), 1942- Crítica e interpretação
Rezende, M. V. (Maria Valéria), 1942-. Outros cantos
Ficção brasileira - História e crítica
Mulheres na literatura
Ditadura na literatura
Brazilian fiction - History and criticism
Women in literature
Dictatorship in literature
Artigo original
Descripción
Sumario:Resumo: O presente artigo pretende analisar a construção da memória em Outros cantos (2016), de Maria Valéria Rezende, publicado após a conclusão dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e na esteira de rememoração do cinquentenário do golpe militar. A obra de teor testemunhal, onde as fronteiras da memória, história e testemunho se intercruzam, desloca-se entre o presente enunciativo e o passado da narradora Maria. Ao rememorar o passado ditatorial brasileiro (1964-1985), a escrita de autoria feminina concede protagonismo à mulher-militante, a qual sofreu com um duplo apagamento na historiografia oficial, desvelando a participação dessas mulheres nas organizações políticas. Sendo assim, ao ceder voz aos silenciados, também focaliza o nordeste brasileiro, como palco de resistência e cenário para representar a alegoria da falta: a ausência de direitos políticos e equidade de gêneros, o qual desvela que a opressão sofrida pela mulher é anterior à violência dos agentes de Estado