A poesia de José de Almada Negreiros como curadoria queer

Este capítulo apresenta uma proposta de leitura queer da figura de José de Almada Negreiros por meio da análise dos seus poemas, com destaque para textos como «Homem transportando o cadáver de uma mulher!», «As quatro manhãs», «Cabaret» e «A torre de marfim não é de cristal» (Almada Negreiros, 1985;...

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Detalles Bibliográficos
Autor: Amarelo, Daniel
Tipo de recurso: capítulo de libro
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2024
País:España
Institución:Universitat Oberta de Catalunya (UOC)
Repositorio:O2, repositorio institucional de la UOC
OAI Identifier:oai:openaccess.uoc.edu:10609/152445
Acceso en línea:http://hdl.handle.net/10609/152445
https://doi.org/10.14195/978-989-26-2534-8
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Almada Negreiros
poesia
queer
modernismo
poetry
modernism
Descripción
Sumario:Este capítulo apresenta uma proposta de leitura queer da figura de José de Almada Negreiros por meio da análise dos seus poemas, com destaque para textos como «Homem transportando o cadáver de uma mulher!», «As quatro manhãs», «Cabaret» e «A torre de marfim não é de cristal» (Almada Negreiros, 1985; 2001). No quadro geral do Modernismo português e do questionamento da identidade, associada à crise de valores, ao nomadismo e à dissolução do sujeito (Vila Maior, 2015), mapeiam-se os índices de uma cosmovisão e de uma aposta poético-política fluída e não heterossexual presentes na sua poesia. Particularmente, observamos (i) uma expressão transcendentalista da superação dicotómica e binária (incluindo especialmente o binarismo sexo-genérico) – em relação com uma futuridade virtual que chamamos de «fluída» – e (ii) uma provocação insultante e engajada, às vezes celebratória, aos parâmetros do bom gosto burguês numa clara aposta pelo vício perante os tabus (McNab, 1979). Estes aspetos, na nossa opinião, aproximá-la-iam das teorias antissociais da identidade e do pensamento queer (Butler, 1999; Caserio, Edelman, Halberstam, Esteban Muñoz & Dean, 2006), produto da passagem do século xx e da iminência do xxi (que, evidentemente, escapou a Almada Negreiros por motivos cronológicos); e poderiam conformar uma linha de fuga na produção literária portuguesa da altura.