Efeito do canabidiol sobre a hiperexcitabilidade neuronal em modelo animal de malformação cortical

A epilepsia é um dos principais transtornos neurológicos, afetando cerca de 70 milhões de indivíduos, e é caracterizada pela presença de crises epilépticas espontâneas e recorrentes. Aproximadamente 40% das epilepsias refratárias, que não respondem adequadamente ao tratamento farmacológico atualment...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Lima, Thais Martins de
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Institución:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:www.lume.ufrgs.br:10183/291154
Acceso en línea:http://hdl.handle.net/10183/291154
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Canabidiol
Excitabilidade cortical
Malformações do desenvolvimento cortical
Epilepsia resistente a medicamentos
Refractory epilepsy
Developmental cortical malformation
Cannabidiol
In vitro electrophysiology
4-aminopyridine
Descripción
Sumario:A epilepsia é um dos principais transtornos neurológicos, afetando cerca de 70 milhões de indivíduos, e é caracterizada pela presença de crises epilépticas espontâneas e recorrentes. Aproximadamente 40% das epilepsias refratárias, que não respondem adequadamente ao tratamento farmacológico atualmente disponível, estão associadas a malformações do desenvolvimento cortical (MDC) principalmente em crianças. A polimicrogiria (PMG), um exemplo de MDC, é caracterizada por anormalidades na organização das células corticais e formação excessiva de giros corticais, propiciando a formação de uma zona epileptogênica. Cerca de 70% das crianças com PMG apresentam crises epilépticas refratárias. Terapias alternativas para as epilepsias refratárias, como o uso do canabidiol (CBD), um derivado da Cannabis sativa, têm mostrado um potencial anti-crise em estudos clínicos e pré-clínicos. Neste trabalho, utilizamos modelo animal de malformação cortical em ratos Wistar induzida por criolesão cortical bilateral neonatal para avaliar o efeito do CBD sobre a hiperexcitabilidade neuronal em duas fases do desenvolvimento (P21 – P30: Idade juvenil; P35 – P60: Idade adolescente) por meio de registros eletrofisiológicos extracelulares in vitro. A criolesão cortical bilateral neonatal (P0 – P1) foi realizada na região do córtex somatossensorial para formação de um microgiro (MDC), a partir do contato de uma probe metálica congelada em nitrogênio líquido. Nos animais controle (Sham) a probe foi mantida à temperatura ambiente. O efeito do CBD foi avaliado em fatias cerebrais coronais (400μm) na presença de líquido cefalorraquidiano artificial modificado (LCRAm) sem magnésio (0Mg2+) e na presença de 4-aminopiridina (4AP). O registro extracelular in vitro foi realizado na região cortical paramicrogiral nos animais MDC, ou na região cortical correspondente nos animais Sham. Ao perfundir as fatias com LCRAm (0Mg2+ + 4AP) simultaneamente com CBD para avaliar sua ação sobre a atividade epileptiforme induzida, observamos que a frequência dos eventos ictais e o número de eventos de maior duração (>100 seg.) foram menores que as fatias perfundidas somente com LCRAm (0Mg2+ + 4AP) nos animais Sham e MDC na idade adolescente. Ao perfundir as fatias primeiramente com LCRAm (0Mg2+ + 4AP) e adicionando CBD posteriormente, para avaliar seu potencial em diminuir a atividade epileptiforme previamente induzida, detectamos aumento na frequência de eventos ictais e diminuição o número de eventos de longa duração (>25 seg.) nas fatias dos animais Sham e MDC em idade adolescente, além do aumento do número de eventos de maior duração (>100 seg.) nas fatias dos animais MDC na idade juvenil, em relação ao período anterior à adição de CBD. Finalmente, ao perfundir as fatias primeiramente com CBD seguido de LCRAm (0Mg2+ + 4AP) + CBD para verificar sua capacidade de prevenir a atividade epileptiforme induzida, observamos que o CBD previamente adicionado diminuiu tanto a geração de eventos ictais longos (>25 seg.) nas fatias dos animais MDC quanto eventos ictais de maior duração (>100 seg.) além de reduzir a frequência de eventos ictais nas fatias dos animais Sham e MDC na idade juvenil. Nossos achados sugerem que, apesar de o CBD não demonstrar efeito importante sobre a hiperexcitabilidade previamente induzida, ele apresenta um potencial de atenuar a intensidade e reduzir a geração da atividade epileptiforme.