O pé dáctilo como elemento organizador em uma alegoria factual, na Paixão Segundo João, de J. S. Bach

Resumo: Na retórica musical, as células/figuras rítmicas tem função estrutural, cumprindo a tarefa de persuasão na medida em que são elementos organizadores do movimento e da idéia implícitos no discurso sonoro. Assim como na poesia, estas figuras organizam-se em "pés métricos". Esta organ...

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Detalles Bibliográficos
Autores: Jank, Helena, 1939-, Ostergren, Eduardo Augusto, 1943-
Tipo de recurso: artículo
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2009
País:Brasil
Institución:Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
Repositorio:Repositório da Produção Científica e Intelectual da Unicamp
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:https://www.repositorio.unicamp.br/:1363583
Acceso en línea:https://hdl.handle.net/20.500.12733/13714
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Bach, Johann Sebastian, 1685-1750
Retórica
Rhetoric
Figuras retórico-musicais
Music-rhethorical figures
Artigo original
Descripción
Sumario:Resumo: Na retórica musical, as células/figuras rítmicas tem função estrutural, cumprindo a tarefa de persuasão na medida em que são elementos organizadores do movimento e da idéia implícitos no discurso sonoro. Assim como na poesia, estas figuras organizam-se em "pés métricos". Esta organização, denominada Rhythmopöie aborda os pés rítmicos a partir de seu significado poético, estabelecendo uma relação entre este e sua possível representação em música. O pé dáctilo (do grego Daktylos = dedo) é formado por uma sílaba longa seguida de duas breves. Segundo Mattheson, devido a estas três partes – uma grande e duas pequenas – este nome se deve à analogia com as articulações dos dedos. O autor atribui ainda uma segunda versão ao pé dáctilo: uma nota longa pontuada, seguida de uma curta e outra menos curta, como é o ritmo siciliano. Na Paixão Segundo S. João de Bach, descrevemos um procedimento através do qual o pé dáctilo passa por uma transformação quando, partindo de simples célula rítmica com sentido de agitação, assume característica programática, representando metaforicamente a violência, até se transformar em uma alegoria da redenção, tendo como condutora a simbologia do sofrimento de Cristo na cruz. Retoricamente, podemos reconhecer nestes trechos a construção de uma alegoria factual, definida por Pécora como "... signos de uma movimentação divina na história que deve ser interpretada e divulgada, segundo o decoro da oratória sacra, de modo a, por sua vez, mover os homens e fazêlos, pela reta eleição do seu arbítrio, cumprir o futuro que se anuncia" (PÉCORA 2008)