O cuco e o chupim: a recepção da fábula em Millôr Fernandes

A fábula é fruto de uma tradição literária ancestral: em estrutura e linguagem simples, o gênero transitou entre Oriente e Ocidente, da oralidade para a escrita e da literatura greco-latina para a brasileira, com grande vigor em instruir, ensinar ou criticar de modo velado e alegórico. A fim de anal...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Sarti, Giovanna Angela Agulha
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-30062025-110621
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8143/tde-30062025-110621/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Aesop
Classical reception
Esopo
Fable
Fábula
Greek and Latin literature
Literatura greco-latina
Millôr Fernandes
Recepção dos clássicos
Descripción
Sumario:A fábula é fruto de uma tradição literária ancestral: em estrutura e linguagem simples, o gênero transitou entre Oriente e Ocidente, da oralidade para a escrita e da literatura greco-latina para a brasileira, com grande vigor em instruir, ensinar ou criticar de modo velado e alegórico. A fim de analisar a recepção deste gênero na obra de Millôr Fernandes (1923-2012), pretende-se explorar a formação discursiva da fábula enquanto fenômeno inerentemente humano, bem como sua elaboração literária na matriz cultural greco-latina e especialmente em Esopo (c. Séc. VII-VI a.e.c.), o primeiro grande fabulista do Ocidente. Tendo em vista os dispositivos paródicos e intertextuais que atravessam a obra milloriana em proveito do subtexto crítico da realidade histórica brasileira, buscar-se-á ampliar o estudo para além do campo da teoria textual: delimitando o modo pelo qual se estabelece o diálogo com os motivos clássicos na literatura de partida, analisar-se-ão as novas instâncias de interpretação ativadas no artifício criativo de Millôr. Do mesmo modo, a concepção metodologicamente horizontal dos estudos de recepção dos clássicos permitirá que se conduza pelas lentes millorianas um novo olhar sobre o gênero da fábula, projetando também no passado dimensões hermenêuticas sobre o texto esópico e sobre a tradição discursiva da fábula