Desprezo e Desonra: a ira de Medeia

A ira (ὀργή, orgé), segundo Aristóteles, pressupõe um desejo de vingança explícita, devido a alguma desonra sofrida e só pode existir onde a vingança for possível. O sentimento da ira requer poder e parece inadequado ao feminino, geralmente retratado como impotente na Grécia antiga. Não é o caso de...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Franciscato, Maria Cristina Rodrigues da Silva
Tipo de recurso: artículo
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2023
País:Brasil
Institución:Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Repositorio:Codex : Revista de Estudos Clássicos
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:ojs.pkp.sfu.ca:article/59277
Acceso en línea:https://revistas.ufrj.br/index.php/CODEX/article/view/59277
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:orgé
khólos
ira
cólera
Eurípides
Medeia.
Descripción
Sumario:A ira (ὀργή, orgé), segundo Aristóteles, pressupõe um desejo de vingança explícita, devido a alguma desonra sofrida e só pode existir onde a vingança for possível. O sentimento da ira requer poder e parece inadequado ao feminino, geralmente retratado como impotente na Grécia antiga. Não é o caso de Medeia que, repleta de ira, perpetra terrível vingança contra seu marido, Jasão, que a desonrou. Das tragédias áticas sobreviventes, Medeia é a que possui maior número de ocorrências dos termos orgé e khólos (χόλος), ambos com significados semelhantes, indicando ira, cólera. Medeia pode deixar irromper esses sentimentos por ser poderosa e não meramente humana.