Quase nenhum poema: considerações sobre o catálogo na poesia homérica

A frequência com que a Ilíada e a Odisseia se utilizam de enumerações e a variedade de contextos nos quais isso ocorre indicam que estamos lidando com uma estratégia essencial da poesia arcaica grega, fato reconhecido de forma unânime pelos trabalhos acerca do tema. Menos unânime são as descrições t...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Villa, Danilo de Sousa Tolentino
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-10062025-121943
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8143/tde-10062025-121943/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Iliad
Ilíada
Odisseia
Odyssey
Catálogos épicos
Epic catalogues
Homer
Homero
Descripción
Sumario:A frequência com que a Ilíada e a Odisseia se utilizam de enumerações e a variedade de contextos nos quais isso ocorre indicam que estamos lidando com uma estratégia essencial da poesia arcaica grega, fato reconhecido de forma unânime pelos trabalhos acerca do tema. Menos unânime são as descrições teóricas do fenômeno. Frequentemente classificadas como o oposto de conceitos variados, desde o conceito de narrativa até mesmo o da própria poesia, as passagens enumerativas da poesia épica são relegadas muitas vezes a um lugar de alteridade absoluta, no qual qualquer possibilidade de sentido é deslocada para fora da análise literária. Ademais, sua descrição na crítica homérica nos estimula a pensar até que ponto esse fenômeno não é criado, em grande medida, pelas predisposições teóricas de seus críticos. Ainda que todo objeto seja moldado pela teoria que o investiga, esse fato tem sido repetidamente ignorado pelos estudiosos dos catálogos épicos, o que produz uma análise incapaz de refletir sobre a sua participação nos próprios dilemas que encontra. A partir duma reflexão mais ampla sobre como os estereótipos ao redor das enumerações são o resultado das nossas práticas interpretativas, o presente trabalho defende que não é razoável aplicar um único viés interpretativo nos chamados catálogos da Ilíada e da Odisseia, em particular o viés que defende uma alteridade essencial entre formas enumerativas e narrativas no contexto homérico