O social entre o céu e o inferno: a antropologia filosófica de Pierre Bourdieu

Diversos autores têm chamado a atenção para o fato de que quaisquer estudos sociocientíficos de modalidades específicas de ação e experiência humana em sociedade dependem de alguma espécie de "antropologia filosófica", isto é, de um conjunto de pressupostos gerais acerca "do que é ser...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Peters, Gabriel
Tipo de documento: artigo
Estado:Versão publicada
Data de publicação:2012
País:Brasil
Recursos:Universidade de São Paulo (USP)
Repositório:Tempo Social (Online)
Idioma:português
OAI Identifier:oai:revistas.usp.br:article/48867
Acesso em linha:https://www.revistas.usp.br/ts/article/view/48867
Access Level:Acceso aberto
Palavra-chave:Pierre Bourdieu
Antropologia filosófica
Capital simbólico
Campo
Reconhecimento
Sentido da existência
Philosophical anthropology
Symbolic capital
Field
Recognition
Meaning of existence
Descrição
Resumo:Diversos autores têm chamado a atenção para o fato de que quaisquer estudos sociocientíficos de modalidades específicas de ação e experiência humana em sociedade dependem de alguma espécie de "antropologia filosófica", isto é, de um conjunto de pressupostos gerais acerca "do que é ser um agente humano" (Taylor), sem os quais o próprio diagnóstico da variabilidade histórica e cultural das práticas de atores concretos tornar-se-ia impossível. Bourdieu mostrou-se sensível a esta tese e, sobretudo na fase mais tardia de sua carreira, dedicou-se a explicitar o modo como suas investigações histórico-sociológicas pressupunham e, ao mesmo tempo, contribuíam para a formulação de "uma ideia de 'homem'". O artigo retraça o percurso bourdieusiano em direção a essa antropologia filosófica, partindo de sua sociologia genética do poder simbólico, pensada aqui como uma forma de teoria crítica (latu sensu), para desembocar em um retrato da condição humana em que o reconhecimento ("capital simbólico") aparece como meta existencial fundamental pela qual os indivíduos buscam dar sentido às suas vidas e como fonte da infindável competição simbólica que mantém em movimento a vida social. A visão agonística do universo societário que alimenta seus estudos sociológicos retorna em sua antropologia filosófica sob a forma de uma síntese singular entre a ideia durkheimiana de que "a sociedade é Deus" e a tese sartriana de que "o inferno são os outros".