TRADUTORES COMO ATORES E MÁGICOS
Comparo o tradutor ao encenador, mais especificamente ao ator, valendo-me da definição de Tadeusz Kantor para quem “o ator é um ‘jogador’ que joga com o texto, se distancia dele, aproxima-se dele, o abandona e o retoma, tira-lhe todo caráter anedótico para revelá-lo em sua abstração concreta. É um j...
| Author: | |
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| Format: | article |
| Status: | Published version |
| Publication Date: | 2020 |
| Country: | Brasil |
| Institution: | Universidade Federal do Paraná (UFPR) |
| Repository: | Revista X |
| Language: | Portuguese |
| OAI Identifier: | oai:ojs.pkp.sfu.ca:article/76788 |
| Online Access: | https://revistas.ufpr.br/revistax/article/view/76788 |
| Access Level: | Open access |
| Keyword: | Literatura Polonesa em Tradução Transcriação Teatro Tadeusz Kantor. |
| Summary: | Comparo o tradutor ao encenador, mais especificamente ao ator, valendo-me da definição de Tadeusz Kantor para quem “o ator é um ‘jogador’ que joga com o texto, se distancia dele, aproxima-se dele, o abandona e o retoma, tira-lhe todo caráter anedótico para revelá-lo em sua abstração concreta. É um jogador que não sublinha a convenção do jogo, mas afirma com força sua realidade de jogador, tal como o saltimbanco ou o clown na arena do circo” (KANTOR, 2008, p. 37). A propósito do ator, lembra Kantor que, se ele “imita uma ação se coloca forçosamente acima dela. O ator que a executa realmente se coloca em relação a ela em posição de igualdade. É assim que se modifica a hierarquia fundamental: objeto-ator, ação-ator” (KANTOR, 2008, p. 37). A ideia do teórico do teatro polonês parece dialogar com o conceito de tradução ou transcriação de Haroldo de Campos, que se fundamenta em parte nas ideias do alemão Wolfgang Iser. Segundo Campos, é preciso desmistificar “a ‘ideologia da fidelidade’, a ideia servil da tradução-cópia” (TÁPIA; NÓBREGA, 2013, p. 120). É necessário pensar “a própria tradução enquanto ficção”. Haroldo vale-se de um ensaio de Iser – “Os atos de fingir ou o que é fictício no texto ficcional” – para descrever e reforçar “uma ‘relação triádica’ que se estabelece entre o real, o fictício e o imaginário” na tradução (TÁPIA; NÓRBEGA, 2013, p. 121). |
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