Hemorragia digestiva alta na cirrose: estudo prospectivo sobre fatores associados a mortalidade

Introdução: A gravidade da hemorragia digestiva alta (HDA) na cirrose é geralmente estimada apenas pela gravidade da cirrose, através da classificação de Child-Pugh, do escore MELD (“Model for End-Stage Liver Disease”) ou de outros preditores de óbito na cirrose, como o escore MELD-sódio e a classif...

Full description

Bibliographic Details
Author: Marcondes, Mariana Barros [UNESP]
Format: doctoral thesis
Status:Published version
Publication Date:2025
Country:Brasil
Institution:Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Repository:Repositório Institucional da UNESP
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:repositorio.unesp.br:11449/312920
Online Access:https://hdl.handle.net/11449/312920
Access Level:Open access
Keyword:Cirrose hepática
Mortalidade
Hemorragia digestiva alta
Preditores
Description
Summary:Introdução: A gravidade da hemorragia digestiva alta (HDA) na cirrose é geralmente estimada apenas pela gravidade da cirrose, através da classificação de Child-Pugh, do escore MELD (“Model for End-Stage Liver Disease”) ou de outros preditores de óbito na cirrose, como o escore MELD-sódio e a classificação ACLF (“Acute on Chronic Liver Failure”), deixando de fora outras variáveis clínicas decorrentes da própria internação pela HDA. Objetivos: O objetivo principal foi avaliar o desempenho de um novo escore denominado CAGIB (“cirrhosis acute gastrointestinal bleeding”) como preditor de óbito de pacientes com cirrose e HDA. A classificação de Child-Pugh, o escore MELD e o escore MELD-sódio foram também avaliados. O segundo objetivo secundário foi buscar outras variáveis clínicas associadas à mortalidade hospitalar nessa população, como a necessidade de intubação orotraqueal (IOT) para ventilação mecânica, a internação em unidades de terapia intensiva (UTI), a presença de ACLF e a necessidade de transfusão. O terceiro objetivo foi encontrar fatores de risco para a recidiva hemorrágica. Métodos: Foram avaliados 228 pacientes internados no Hospital das Clínicas de Botucatu entre janeiro de 2021 a março de 2025. Foi realizada análise de regressão de Cox para identificar os preditores relacionados à ocorrência dos dois desfechos clínicos de interesse: o óbito e a recidiva de sangramento digestivo. Resultados: A maior parte da amostra tinha cirrose por uso de álcool (96 casos), entre os quais 45 haviam cessado o consumo de álcool. A segunda maior causa de cirrose foi a doença hepática esteatótica associada a distúrbios metabólicos (MASLD). Dos 228 pacientes, apenas 33 morreram (14,47%) e 195 receberam alta hospitalar. O risco de óbito foi 40 vezes maior entre pacientes que precisaram de IOT (p <0,001) e aumentou 86% a cada bolsa de hemácias transfundida (p= 0,029). Houve redução de quase 90% do risco de óbito nos casos de cirrose por álcool (p= 0,005). Não foi observada associação da mortalidade com os escores MELD, MELD-sódio ou CAGIB. O risco de recidiva do sangramento foi 88 vezes maior nos casos que precisaram de IOT (p=0,012), mas diminuiu 96% entre os que foram internados em UTI (p=0,045). Discussão e conclusões: Escores de gravidade da cirrose não tiveram associação com mortalidade ou recidiva de sangramento. A necessidade de IOT e de transfusão foram associadas ao maior risco de óbito, enquanto a cirrose de etiologia alcoólica foi associada a menor mortalidade, provavelmente pelo grande número de pacientes que não consumiam mais bebidas alcoólicas. O risco de sangramento também aumentou com a IOT, porém foi menor nos casos admitidos em UTI. Os resultados sugerem que a população avaliada necessita de mais acesso a internações em UTI.