| Sumario: | Existe um parentesco sempre mencionado entre os grandes autores John Locke (séc. XVII) e Adam Smith (séc. XVIII) que residiria no valor que ambos dariam ao trabalho humano, como origem da propriedade e gerador de riquezas, e na “defesa” comum da “propriedade” e da restrição aos poderes do estado, em prol da liberdade individual, entendida em sentido negativo, isto é, ausência de empecilhos para a ação. No mais, o primeiro seria parte da filosofia política, um dos contratualistas da vertente “liberal”, enquanto o outro seria fundador da economia política, com a sustentação de que deve haver uma liberdade de comércio. Assim, afora os elementos de afinidade, os temas seriam, em tudo o mais, diversos, e cada um estaria em uma área do pensamento. Esse parentesco, no entanto, parece muito mais forte do que normalmente se coloca, e que Adam Smith repõe com precisão conceitual as formulações fundamentais de John Locke, substituindo engenhosamente a percepção racional das leis naturais pela conjunção de paixões por meio do mecanismo da “simpatia”. Isso, no entanto, acaba por chegar a duas diferenciações, a primeira das quais se expressa bem claramente, e está no fato da escravidão; a segunda, no entanto, bem mais discreta, que é o empobrecimento sociocultural dos trabalhadores, o que ocorre no sistema livre e bem ordenado, como efeito colateral da prosperidade da nação. Isso abre espaço para a crítica do ideário do sistema econômico liberal e sugere, na obra, a ação do estado para proporcionar melhores condições para os trabalhadores.
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