Entre o suicídio e a morte assistida: uma revisão sistemática sobre os perfis clínicos e psicossociais envolvidos

A eutanásia e o suicídio assistido (ESA) têm sido amplamente debatidos em contextos clínicos, legais e éticos, especialmente diante do aumento dos pedidos de morte assistida motivados por sofrimento psíquico. O estudo teve como objetivo investigar, por meio de uma revisão sistemática, as semelhanças...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Aragão, Yasmin Meireles
Formato: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Recursos:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-27092025-181429
Acesso em linha:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-27092025-181429/
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:assisted suicide
estigma
eutanásia
euthanasia
non-assisted suicide
psychological suffering
revisão sistemática
sofrimento psíquico
stigma
suicídio assistido
suicídio não assistido
systematic review
Descrição
Resumo:A eutanásia e o suicídio assistido (ESA) têm sido amplamente debatidos em contextos clínicos, legais e éticos, especialmente diante do aumento dos pedidos de morte assistida motivados por sofrimento psíquico. O estudo teve como objetivo investigar, por meio de uma revisão sistemática, as semelhanças e diferenças nos fatores clínicos, demográficos e psicossociais entre pacientes que optam pelo ESA e indivíduos que morrem por suicídio não assistido. A busca foi conduzida em seis bases de dados e literatura cinzenta, sem restrição temporal, seguindo as diretrizes PRISMA e registrada no PROSPERO (CRD42023485117). Dez estudos foram incluídos, totalizando 79.129 participantes. Os dados foram sintetizados de forma narrativa, com avaliação metodológica pelo JBI e análise da qualidade da evidência pelo sistema GRADE. Os resultados revelaram que pacientes que recorrem ao ESA são, predominantemente, idosos, do sexo feminino, com elevado nível de escolaridade, portadores de doenças físicas graves e com acesso regular a cuidados médicos. Em contraste com o perfil dos usuários do ESA, observa-se que casos de suicídio não assistido ocorrem majoritariamente entre homens mais jovens, com histórico de transtornos mentais, sofrimento psíquico intenso, baixo suporte social e acesso limitado aos serviços de saúde. Embora ambos os grupos compartilhem experiências de sofrimento profundo, os significados sociais atribuídos ao desejo de morrer variam substancialmente. Assim, fatores como idade, gênero, estado civil, afiliação religiosa e condição clínica influenciam não apenas a escolha da morte, mas também sua legitimação social. Conclui-se que as distinções entre ESA e suicídio não assistido não se limitam a critérios clínicos, mas atravessam normatividades culturais, éticas e políticas, exigindo uma escuta mais ética e sensível nos contextos de cuidado em saúde mental.