Minha mãe é a Lua cheia: o feminino arquetípico na constituição do mito fundacional da religião Santo Daime

O mito fundacional da religião Santo Daime traz como cerne o tema da inspiração através do feminino: conta-se que seu fundador, Mestre Irineu, foi iniciado nos mistérios da bebida ayahuasca por uma divindade feminina identificada com a lua e reconhecida principalmente como Virgem da Conceição. Na pr...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Saque, Lara Rosa
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2021
País:Brasil
Institución:Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Repositorio:Repositório Institucional da UFJF
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:hermes.cpd.ufjf.br:ufjf/12546
Acceso en línea:https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/12546
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:CNPQ::CIENCIAS HUMANAS
Mito
Santo Daime
Feminino
Carl Gustav Jung
Experiência religiosa
Myth
Feminine
Religious experience
Descripción
Sumario:O mito fundacional da religião Santo Daime traz como cerne o tema da inspiração através do feminino: conta-se que seu fundador, Mestre Irineu, foi iniciado nos mistérios da bebida ayahuasca por uma divindade feminina identificada com a lua e reconhecida principalmente como Virgem da Conceição. Na presente dissertação, busca-se investigar de que maneira o simbolismo vinculado à instrução espiritual de Mestre Irineu pode ser interpretado a partir de imagens arquetípicas do feminino, tomando como principal via teórica o pensamento de Carl Gustav Jung. Para isso, foi realizada uma análise documental de 4 narrativas fundacionais e 33 canções rituais do hinário O Cruzeiro, material litúrgico daimista, a partir da proposta metodológica dos mapas semânticos desenvolvida por Berkenbrock (2018b). Compreende-se que este hinário pode apresentar uma função simbólica que integra experiência religiosa e mito, atuando como sugestão para as imagens arquetípicas do caráter de transformação do feminino e como alojamento simbólico dessas imagens em uma gramática religiosa predominantemente cristã. A emergência simbólica do feminino arquetípico é assim considerada uma possível dimensão constitutiva da reatualização do mito fundacional na religião do Santo Daime: como experiência de anima e do feminino de transformação, vinculada aos elementos naturais e à imagem materna pela temática do renascimento.