Esporotricose em pacientes pediátricos: estudo retrospectivo da casuística do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, 1998 a 2018

A esporotricose é uma micose subcutânea de distribuição mundial, causada por fungos do gênero Sporothrix, como consequência da exposição a matéria orgânica ou animais com o fungo. É mais frequente em regiões tropicais e subtropicais, sendo considerada a micose subcutânea mais comum da América Latina...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Cardoso, Renata Faissal
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2022
País:Brasil
Institución:Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)
Repositorio:Repositório Institucional da FIOCRUZ (ARCA)
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:arca.fiocruz.br:icict/61480
Acceso en línea:https://arca.fiocruz.br/handle/icict/61480
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Esporotricose
Sporothrix
Transmissão Zoonótica
Epidemiologia
Pacientes Pediátricos
Formas Clínicas
Terapêutica
Itraconazol
Sporotrichosis
Zoonotic transmission
Epidemiology
Pediatric Patients
Clinical Forms
Therapy
Itraconazole
Pediatria
Descripción
Sumario:A esporotricose é uma micose subcutânea de distribuição mundial, causada por fungos do gênero Sporothrix, como consequência da exposição a matéria orgânica ou animais com o fungo. É mais frequente em regiões tropicais e subtropicais, sendo considerada a micose subcutânea mais comum da América Latina, onde é endêmica. Diversas formas clínicas podem ser observadas (linfocutânea, cutânea fixa, cutânea disseminada e extracutânea/disseminada), além das manifestações de hipersensibilidade, como eritema nodoso, eritema multiforme, artrite reativa e síndrome de Sweet. Seu diagnóstico é suspeitado pela história epidemiológica e pelas características clínicas e confirmado pelo isolamento do agente em cultivo. A terapêutica instituída baseia-se no uso de itraconazol, tendo como alternativas a terbinafina e o iodeto de potássio e, para casos graves e situações especiais, a anfotericina B. Desde 1998, com o aumento dos casos humanos de transmissão zoonótica por gatos no estado do Rio de Janeiro, o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI) - Fundação Oswaldo Cruz, é centro de referência na assistência a estes pacientes e nas pesquisas sobre a doença. As casuísticas publicadas englobam pacientes de diferentes idades, com pouco enfoque nos pacientes pediátricos. Assim, as características da esporotricose nesta faixa etária carecem de análise e divulgação. Um estudo de 2008 avaliou 81 casos de pacientes com menos de 15 anos de idade, vistos entre 1998 e 2004, e observou predomínio de transmissão zoonótica, sexo feminino, faixa etária de 10 a 14 anos, forma clínica linfocutânea nos membros superiores e tratamento com itraconazol. Desde então, novos dados não foram explorados, em um cenário de persistência do aumento do número de casos. O objetivo deste estudo foi caracterizar o perfil sociodemográfico, epidemiológico, clínico e evolutivo da esporotricose nos pacientes pediátricos atendidos no INI, no período de 1998 a 2018. Foi feita uma busca junto ao Serviço de Tecnologia da Informação e Comunicação do Instituto e um cruzamento com os bancos de dados do Laboratório de Pesquisa Clínica em Dermatologia Infecciosa, a fim de se resgatar os registros dos pacientes pediátricos tratados para esporotricose no período proposto. Foram incluídos 567 pacientes com diagnóstico de esporotricose confirmado por cultura. Os anos de 2008 a 2013 concentraram o maior número de casos. Observou-se maior incidência de casos no município do Rio de Janeiro (42%), em meninas (58,2%), adolescentes (53%) e relacionadas ao contato com gato doente (69,8%), além de boa resposta ao tratamento. O itraconazol foi o fármaco mais utilizado, sob a forma de cápsulas mais frequentemente, com boa tolerância. A mediana para cura foi de três meses. Um maior conhecimento sobre a doença pode ajudar em um diagnóstico assertivo e tratamento adequado, bem como diminuir sua propagação. Protocolos de atendimento dos casos pediátricos são desejáveis e o itraconazol, apesar da indicação duvidosa em bula para parte da faixa etária pediátrica, tem seu uso eficaz e seguro corroborado.